Sunday, June 7, 2020

Pontuação - Gramática On-line

Os sinais de pontuação são usados para estruturar as frases escritas de forma lógica, a fim de que elas tenham significado. A pontuação é tão importante na linguagem escrita quanto a entonação, os gestos, as pausas e até o tom de voz, são na linguagem oral. Bem empregados, os sinais de pontuação são um grande recurso expressivo:

"Oh! que doce era aquele sonhar...
Quem me veio, ai de mim! despertar?" (Almeida Garret)

Mal colocados, no entanto, eles podem provocar confusão ou até mudar o sentido das frases:



Raquel não me respondeu. Quando a procurei, já era tarde.
Raquel não me respondeu quando a procurei. Já era tarde.



I.                   O ponto final
O ponto final é utilizado basicamente no final de uma frase declarativa ou imperativa:



"Não sou poeta e estou sem assunto." (Fernando Sabino)

Alguns gramáticos chamam de ponto final apenas o ponto que encerra uma sentença. Ao ponto seguido por outras frases chamam de ponto simples. Além de finalizar um período, o ponto é utilizado em abreviaturas (etc., obs., Sra.). Neste caso, é chamado de ponto abreviativo.

Também é muito usado quando apenas uma vírgula bastaria. É um recurso estilístico:

"Viera a trovoada. E, com ela, o fazendeiro, que o expulsara."
(Graciliano Ramos)

Corintianos lotam o estádio. E rezam



2. A vírgula
A vírgula, em seus vários usos, é fundamental para a correta entoação e interpretação da frase escrita. Como simples sinal de pausa, ela indica um tempo geralmente menor que o do ponto. Todo cuidado, porém, é pouco para que ela não seja empregada como sinal de pausa em situações equivocadas. Compare o ponto e a vírgula como sinal de pausa:



Era de noite, as janelas se fechavam.
Era de noite. As janelas se fechavam.



SINAIS DE PONTUAÇÃO

Sinais de pausa:

PONTO FINAL

( . )

VÍRGULA

( , )

PONTO-E-VÍRGULA

( ; )

Sinais de entonação:

DOIS PONTOS

( : )

PONTO DE INTERROGAÇÃO

( ? )

PONTO DE EXCLAMAÇÃO

( ! )

RETICÊNCIAS

( ... )

PARÊNTESES

( ( ) )

TRAVESSÃO

( - )

ASPAS

( “ “ )



     O emprego da vírgula
O uso da vírgula é basicamente regulado pela sintaxe. Assim, nem toda pausa é marcada por vírgula:

Seus grandes e valorosos serviços em prol da causa revolucionária de seu país foram tardiamente reconhecidos.



Na leitura em voz alta desse trecho, normalmente faríamos uma pausa após a palavra país. O uso da vírgula nesse caso, porém, é incorreto porque estaríamos separando o sujeito do verbo.

Como usar a vírgula

· Em enumerações, para separar os elementos que as compõem:

Machado de Assis foi contista, romancista, poeta, dramaturgo e crítico literário.

Nosso maior contista, romancista, poeta, dramaturgo e crítico literário foi Machado de Assis.

(geralmente, o último termo da enumeração vem separado pela conjunção e)

· Em intercalações, quando palavras ou expressões se interpõem entre o sujeito e o verbo; entre o verbo e seus complementos (objetos) ou entre verbo de ligação e predicativo:

Os funcionários, a pedido do diretor,alteraram o horário.

                                                 sujeito                                                 verbo

Os funcionários alteraram, a pedido do diretor,o horário.

                                                                    verbo           objeto

Os funcionários estavam, porém,conscientes de seus direitos.

                                                                   verbo                     predicado                 

Atenção: quando se trata da intercalação de uma expressão curta, pode-se omitir a vírgula:

Os funcionários alteraram imediatamente o horário da semana.

As crianças comem brincando uma lata de sorvete!

· Para separar adjunto adverbial, sempre que ele seja extenso ou quando se quer destacá-lo:

Depois de inúmeras tentativas, desistiu.

Escove os dentes,sempre, e diga adeus às cáries!



· Para isolar o predicativo quando for antecedido por verbo intransitivo ou transitivo. Se for usado verbo de ligação, mesmo estando deslocado, a vírgula é dispensável:



Furioso, levantou-se.



·  Para isolar aposto explicativo ou comparativo:

A minha avó, Maria, era suíça.



· Para isolar o vocativo, inclusive o vocativo de ofícios e cartas comerciais:

Estamos de férias, pessoal !



· Para marcar elipse ou zeugma do verbo:



Sua palavra é a verdade; a minha, a lei.



· Para separar orações coordenadas, exceto as iniciadas pela conjunção e:



"Sei que ele andou falando em castigo,mas ninguém se impressionou."
(José J. Veiga)
"Quis retroceder, agarrou-se a um armário, cambaleou resistindo
ainda e estendeu os braços até a coluna."
(Lygia Fagundes Telles)



Atenção: muitas vezes usa-se a vírgula antes de e, principalmente quando liga orações com sujeitos distintos:

"Agora Fabiano era vaqueiro, e ninguém o tiraria dali."
(Graciliano Ramos)

Para dar ênfase, marcando uma pausa maior:

"Disse, e fitou Don'Ana e sorriu para ela."
(Jorge Amado)

Quando a conjunção é repetida. Em estilística, isso é conhecido como polissíndeto:

Levanta, e senta, e vira, e torna a se levantar.

· Para isolar orações adjetivas explicativas:

Minha avó,que era francesa, não tolerava grosserias.

· Para separar as orações adverbiais e substantivas quando antecedem a oração principal:

"Quando Maria Elvira se apanhou de boca bonita, arranjou logo um namorado."
(Manuel Bandeira)

Como Cassiano chegou a prefeito, ninguém soube.

Atenção: quando pospostas à oração principal, as orações substantivas não vêm separadas por vírgulas, com exceção da apositiva, que admite vírgula, dois-pontos ou travessão:

Ninguém soube como Cassiano chegou a prefeito.

As orações adverbiais pospostas à principal geralmente se separam por vírgula (com exceção das consecutivas), nem sempre obrigatória:

A chuva não veio,embora todos a esperassem.

As mesmas regras que valem para as orações desenvolvidas valem para as reduzidas:

"Para erguer-se, foi necessária a ajuda do carcereiro."
(Murilo Rubião)

3.Ponto-e-vírgula
O ponto-e-vírgula é usado basicamente quando se quer dar à frase a pausa e a entoação equivalentes ao ponto, mas não se quer encerrar o período:

"A alma exterior daquele judeu eram os seus ducados;
perdê-los equivalia a morrer."
(Machado de Assis)

· O ponto-e-vírgula também é utilizado para separar itens de uma enumeração:

O plano prevê:
a) internações;
b) exames médicos;
c) consultas com médicos credenciados.



4. Dois-pontos
Usam-se os dois-pontos, geralmente:

· Para introduzir uma explicação, um esclarecimento:

"Cada criatura humana traz duas almas consigo:
uma que olha de dentro para fora,
outra que olha de fora para dentro..."
(Machado de Assis)

· Para introduzir uma citação ou a fala do personagem:

O avô costuma resmungar:
"Quem sai aos seus, não degenera..."

Também são usados em orações apositivas, exemplos, notas, observações e resumos.



5. Interrogação e exclamação

· O ponto de interrogação marca o fim de uma frase interrogativa direta. Nas frases interrogativas indiretas, usa-se ponto final:

Quem te deu licença?

· O ponto de exclamação marca o fim de frases exclamativas, imperativas e optativas. Também é usado nas interjeições e nos vocativos:

Como era lindo o meu país!

6. Reticências
As reticências interrompem a frase, marcando uma pausa longa, com entoação descendente. São usadas basicamente:

· Para indicar uma hesitação, uma incerteza ou mesmo um prolongamento da idéia, muitas vezes, devido a elementos emocionais:

"Há um roer ali perto... Que é que estarão comendo?" (Dionélio Machado)

· Para sugerir ironia ou malícia:

"— Se ele até deixou a mulher que tinha, Sinhô.
É um fato. Estou bem informado... — e ria para
João Magalhães, lembrando Margot."
(Jorge Amado)

Também substituem o etc., para indicar uma enumeração infinitiva, e para indicar que uma citação está incompleta.

7. Aspas
As aspas são usadas para assinalar citações textuais e para indicar que um termo é estranho à norma culta (gíria, estrangeirismo, arcaísmo, expressão popular, neologismo), ou que está sendo usado em sentido figurado ou como ironia, para destacar nomes de livros, obras de arte, filmes, músicas, revistas, jornais etc. 

O presidente afirmou em seu discurso: "Toda corrupção será combatida!"

Minha turma é "fissurada" nessa música.

8. Travessão e parênteses
São usados para esclarecer o significado de um termo:

Granada — último refúgio dos árabes — foi conquistada em 1492.

Granada (último refúgio dos árabes) foi conquistada em 1492.

Os dois sinais têm basicamente a mesma função, a diferença entre os dois está na entonação, mais pausada no caso do travessão, além do caráter estilístico, mais objetivo no caso dos parênteses.

· Intercalar reflexões e comentários à seqüência da frase:

Mas agora — pela centésima vez o pensava — não podia admitir aquelas mesquinharias.

· O travessão também é usado em diálogos para marcar mudança de interlocutor:

"— Peri sente uma coisa.
— O quê?
— Não ter contas mais bonitas do que estas para dar-te."
(José de Alencar)

Os parênteses também são usados para delimitar o ano de nascimento e morte de uma pessoa, introduzir o significado de siglas, possibilidades alternativas de leitura, significados de palavras e expressões, referências bibliográficas e indicar rubricas nos textos teatrais.

Monday, June 1, 2020

Sujeito - Prof. Dílson Catarino

A declaração que se faz a respeito do sujeito vem expressa no predicado. No predicado existe sempre um verbo. Esse verbo concorda com o sujeito em pessoa e número. Quando o sujeito é formado por mais de uma palavra, deve-se localizar o núcleo do sujeito.



Núcleo é a palavra central do sujeito, i.e., a palavra com a qual concordam as demais palavras existentes no sujeito. É sempre um substantivo, um pronome pessoal reto, um pronome pessoal oblíquo com verbo causativo ou sensitivo, um pronome de tratamento, um pronome demonstrativo, um pronome indefinido, um pronome interrogativo, um pronome relativo, um numeral, uma palavra substantivada ou uma oração denominada oração subordinada substantiva subjetiva.

O dia da cerimônia é considerado uma festa.

sujeito e núcleo



A. Localização do sujeito:

a – anteposto ao verbo.

Os tigres hoje são raros. Hoje os tigres são raros.



b – posposto ao verbo.

Raramente aparecem tigres por lá. São curiosos os integrantes de uma certa geração de intelectuais brasileiros.



B. Classificação do sujeito:

b1. determinado: - é o sujeito que pode ser identificado pela terminação do verbo ou pelo contexto em que aparece.

As meninas sonham com as argolas no pescoço. Aguardam ansiosas a chegada dos 5 anos.

Qual é o sujeito de aguardam ? As meninas.



O sujeito determinado pode ser:

à simples: - aquele que tem um só núcleo.

A mulher grega era uma cidadã de segunda classe.

núcleo do sujeito: mulher.



à composto: - aquele que tem mais de um núcleo.

A limpeza e o polimento das argolas são demorados.

núcleos do sujeito: limpeza, polimento.



Há casos em que o sujeito determinado não está expresso na oração, mas pode ser facilmente identificado pela terminação do verbo. Esse tipo de sujeito é chamado de sujeito oculto.

Abriu a porta; nada viu.

O sujeito das duas orações é ele ou ela, conforme se pode deduzir da terminação dos verbos abriu e viu.

Estamos tão preparados ! (sujeito = nós)



b2. indeterminado: - é o sujeito que não pode ser identificado nem pelo contexto nem pela terminação do verbo. O sujeito indeterminado pode ocorrer:



a. com verbos na 3ª pessoa do plural, desde que o contexto não permita identificá-lo.

Alteraram toda a programação dos jogos. (é impossível identificar o sujeito da forma verbal alteraram)

Veja agora:

Os técnicos dos times ficaram reunidos ontem o dia todo. Alteraram a programação dos jogos.

Qual é o sujeito de alteraram ? Os técnicos dos times. É um sujeito determinado, pois sabemos qual é, mas oculto, porque não aparece claramente na 2ª oração.



b. com verbos na 3ª pessoa do singular acompanhados da partícula se:

Trata-se de uma exposição inovadora.

Não se sabe de um caso de assalto recente.



OBS: - alguns gramáticos consideram, como indeterminado o sujeito representado por pronome substantivo indefinido:

Tudo assustava a pobre criança.

Ninguém se interessa por esse povo.

Na realidade, uma análise semântica poderia considerar tais sujeitos como indeterminados, mas a análise sintática deve considerá-los como sujeitos simples, uma vez que aparecem claramente na frase palavras com função de sujeito. Não se deve confundir a ideia de indefinição com a de indeterminação.



b3. inexistente: - há orações que tem somente predicado, onde o verbo é considerado impessoal e, em geral, aparece na 3ª pessoa do singular. A oração sem sujeito ocorre nos seguintes casos:



a. com verbos ou expressões que indicam fenômenos meteorológicos:

Está quente hoje.

Deve chover hoje em todo o Estado.



b. com o verbo fazer e o verbo haver indicando tempo decorrido:

Fazia tempo / que ninguém tocava nesse assunto. (o verbo da 1ª oração não tem sujeito)

Ele trabalha no museu / há 47 anos. (a 2ª oração não tem sujeito).



c. com o verbo ser indicando hora, data e distância:

Eram quatro horas da manhã.

De uma cidade a outra seriam setenta quilômetros.

Obs: - Nesse caso o verbo ser concorda com o predicativo.



d. com o verbo haver empregado no sentido de existir, acontecer ou realizar-se:

Há uma obra comprovadamente falsa no MASP.

Havia muitas testemunhas no local do crime.

Na linguagem coloquial, é comum o verbo haver ser substituído pelo verbo ter. A literatura já registra esse uso:

Tem uma obra comprovadamente falsa no MASP.

Tinha muitas testemunhas no local do crime.



OBS: - o verbo existir é pessoal e concorda com o sujeito:

Existiam muitas testemunhas no local do crime.

verbo no plural e sujeito no plural.



e. com o verbo passar indicando tempo:

Já passa de duas da manhã.



f. com os verbos parecer e ficar em construções como:

Parecia noite, de tão escuro.

Ficou claro como o dia.



g. com os verbos bastar e chegar no imperativo, seguidos da preposição de, indicando suficiência, seguidos de adjunto adverbial de argumento:

Chega de confusão !

Basta de correria.



OBS: - Os verbos que indicam fenômenos meteorológicos, quando utilizados em sentido figurado, apresentam sujeito claro:

O diretor trovejava insultos. (sujeito = o diretor)

Os olhos do professor relampejavam de ódio. (sujeito = os olhos do professor).



ü Partícula SE

As construções em que ocorre a partícula se apresentam alguma dificuldades quanto à classificação do sujeito. Compare:

Analisou-se a questão.  à  Analisaram-se as questões.

sujeito



Precisa-se de estagiário. à  Precisa-se de estagiários.

sujeito indeterminado

No 1º caso, o se é uma partícula apassivadora. O verbo está na voz passiva sintética, concordando com o sujeito. Veja a transformação das frases para a voz passiva analítica:



A questão foi analisada.   à   As questões foram analisadas.

sujeito

No 2º caso, o se é índice de indeterminação do sujeito. O verbo está na voz ativa. Nessas construções, o sujeito é indeterminado e o verbo fica sempre na 3ª pessoa do singular, mesmo com objeto indireto no plural.


OBS: - Com alguns verbos, como faltar, acontecer, bastar, chegar, etc., é comum a colocação do sujeito depois do verbo, para evitar confusão com o objeto direto. Esses verbos são intransitivos, e não transitivos diretos. Neste caso, é importante ficar atento à concordância verbal:

Faltaram alguns alunos.

Para mim, bastam dois pedaços de torta.

Acontecem fatos estranhos neste país.

verbo no plural e sujeito no plural.

Predicado - Prof. Dílson Catarino

Para classificar o predicado de uma oração, é preciso conhecer a predicação verbal.



A. Predicação Verbal

Chama-se predicação verbal ao resultado da ligação que se estabelece entre o sujeito e o verbo e entre o verbo e o complemento.

Quanto à predicação, os verbos podem ser intransitivos, transitivos ou de ligação.



1. Verbo Intransitivo

É aquele que não precisa de complemento, pois sua significação já é completa.

Crescem vendas de apartamentos novos.

O falante pode acrescentar novas informações, que ampliam o significado do verbo, mas não são necessárias para que o ouvinte entenda a informação básica expressa pelo verbo crescer.

OBS: - Há alguns verbos intransitivos que sempre vêm acompanhados de um termo que indica circunstância de lugar: ir, vir, chegar, morar, residir, entrar, sair, etc.:

Saímos de casa.                Residem no campo.

Eles não podem ir para a voz passiva, porque não possuem complemento.



2. Verbo Transitivo

É um verbo que precisa de um termo que lhe complete o significado. Esse termo chama-se objeto. Chama-se transitivo porque o seu sentido transita, passa do verbo para o objeto.

Caruaru acende 30 mil fogueiras.

                VT            objeto



 - verbo transitivo direto (TD) é aquele cujo sentido é completado por um termo que se liga a ele de maneira direta, i.e., sem preposição obrigatória, exceto em casos especiais (objeto direto preposicionado). Esse complemento é chamado de objeto direto (OD). 

Polícia acha lista suspeita.

              VT    OD



 - verbo transitivo indireto (TI) é aquele cujo sentido é completado por um termo que se liga a ele de maneira indireta, i.e., com preposição obrigatória. O complemento do verbo transitivo indireto chama-se objeto indireto (OI). 

A cidadezinha precisa de um prefeito. VTI e OI

Se o objeto indireto for um pronome oblíquo átono a preposição não aparecerá.

O povo lhe atribui poderes divinos. (O povo atribui poderes divinos a ele).

Deram-me todas as informações. (Deram todas as informações a mim).



OBS: -

 - Os verbos transitivos diretos admitem a voz passiva:

O papa condena o aborto – voz ativa.

O aborto é condenado pelo papa – voz passiva.

 - Alguns poucos verbos transitivos indiretos admitem a voz passiva: obedecer, desobedecer, responder, perdoar, etc.

Não obedecemos às leis municipais – voz ativa.

As leis municipais não são obedecidas por nós  - voz passiva.



 - verbo transitivo direto e indireto (TDI) é aquele cujo sentido é completado por dois termos ao mesmo tempo: um que se liga a ele diretamente, e o outro que se liga a ele por meio de uma preposição.

Paguei ao proprietário todos os aluguéis atrasados.

VTDI     OI                    OD





3. Verbo de Ligação

Os verbos transitivos e intransitivos são significativos pois indicam ação, fenômeno da natureza, desejo, acontecimento, existência, atividade mental, conveniência, opinião, julgamento, ponto de vista.

O mesmo não ocorre com os verbos de ligação (VL). Eles não apresentam significação, servindo apenas para estabelecer ligação entre o sujeito e um termo que expressa característica desse mesmo sujeito. Esse termo é chamado de predicativo do sujeito (PS).

Esse corredor é escuro. VL e PS

São comumente verbos de ligação: - ser, estar, tornar-se, permanecer, continuar, ficar, parecer. Os verbos ficar, estar e permanecer podem ser empregados tanto como verbos de ligação quanto como intransitivos. Quando intransitivos, vêm acompanhados de um termo que indica circunstância de lugar.

Ficamos emocionados. Ficamos no bar. VL e PS e VI

Não podem ir para a voz passiva, porque são verbos de estado, não de ação.



B. Classificação do Predicado:



b1. predicado nominal – é aquele que tem como núcleo um nome (substantivo, adjetivo, pronome ou numeral) que indica estado ou qualidade do sujeito. É formado sempre por um verbo de ligação (VL) e um predicativo do sujeito (OS). Ex:

Os diplomatas continuam reféns dos guerrilheiros.

A autoria da obra é polêmica.

VL e PS



b2. predicado verbal – tem como núcleo um verbo que, geralmente, expressa idéia de ação. É formado por um verbo intransitivo ou por um verbo transitivo e seus objetos. Ex:

Os deputados discutem animadamente.

Conferência discute educação ambiental.

Divulgaram a notícia a todos os alunos.

VI e VTD e VTDI e OD e OI



b3. predicado verbo-nominal – tem dois núcleos: um verbo que indica ação e um nome que indica uma qualidade ou estado do sujeito ou do objeto. Na fusão dos dois predicados, o verbo de ligação fica subentendido. Apresenta três estruturas básicas:

VERBO INTRANSITIVO + PREDICATIVO DO SUJEITO

Os turistas caminham nervosos pelo calçadão da praia.

                   VI            PS

VERBO TRANSITIVO + OBJETO + PREDICATIVO DO SUJEITO

Os alunos liam o texto atentos.

                 VT      OD     PS

VERBO TRANSITIVO + OBJETO + PREDICATIVO DO OBJETO

Nenhuma doença pegava Dona Rosemira desprevenida.

                               VTD          OD                  PO

Achei o bombardeio aéreo uma droga.

VTD      OD                          PO

Quando o verbo é intransitivo ou de ligação, o predicativo é sempre do sujeito.
Quando o verbo é transitivo, pode haver predicativo do sujeito ou do objeto.
Se não houver predicativo, o predicado é sempre verbal.
Se houver predicativo do sujeito, o predicado pode ser nominal ou verbo-nominal.
Se houver predicativo do objeto, o predicado é sempre verbo-nominal.

Predicativo - Prof. Dílson Catarino

É o termo da oração que indica uma característica que se atribui ao sujeito ou ao objeto por meio de um verbo qualquer.



Predicativo do Sujeito

Aparece no predicado nominal e no verbo-nominal. No predicado nominal, o predicativo refere-se ao sujeito por meio de um verbo de ligação enquanto que no predicado verbo–nominal o verbo pode ser intransitivo ou transitivo (direto, indireto ou direto e indireto).

Nesta escola, tudo parece calmo e seguro.

Os soldados desciam a montanha vitoriosos.



Predicativo do Objeto

Só aparece no predicado verbo-nominal e indica uma característica que se atribui ao objeto. Pode vir precedido de preposição. Ocorre, geralmente, com VTD que exigem uma qualidade para o objeto: considerar, julgar, achar, supor, tornar, eleger, nomear, chamar, apelidar e outras equivalentes.

Deputados médicos acham inquietante o quadro clínico.

Nomearam Marina representante da turma.



OBSERVAÇÕES:

1. Todas as classes gramaticais – exceto artigo, preposição, conjunção e interjeição – podem exercer a função de predicativo. O predicativo do sujeito, diferente do predicativo do objeto, que só existe no período simples, pode ser representado até por uma oração. Nesse caso, a oração será subordinada substantiva predicativa. Ex: A verdade é que todos eles foram despedidos.



2. Podem ocorrer o predicativo do sujeito em frases com voz passiva sintética. Nesse caso, o predicado será verbo-nominal.

Considera-se Chico Buarque um grande compositor.

                       sujeito        predicativo do sujeito

Definiu-se a proposta como inviável.

                  sujeito        predicativo do sujeito



3. A maior parte dos gramáticos considera que ocorre predicativo do objeto indireto apenas com o verbo chamar, significando “cognominar”, “atribuir um nome a”. Ex:

Chamei-lhe de bobo.

           OI  predicativo

Alguns dizem que o predicativo do objeto indireto pode ocorrer com outros verbos:

Creio num Deus sempre presente.                     Preciso do ladrão vivo.

             OI            PO                                               OI         PO

Se não houver predicativo, o predicado só pode ser verbal.
Se houver predicativo do sujeito, o predicado pode ser nominal ou verbo-nominal.
Se houver predicativo do objeto, o predicado só pode ser verbo-nominal.

Termos Integrantes da Oração, Termos Acessórios da Oração e Vocativo - Prof. Dílson Catarino

São aqueles que integram, i.e., completam o sentido de verbos e nomes transitivos. São indispensáveis à compreensão da mensagem.



A. Complemento Verbal

a1. objeto direto – é o termo que completa o sentido de um verbo transitivo direto. Normalmente não vem regido de preposição.

O objeto direto só existe nas vozes ativa e reflexiva e torna-se sujeito da mesma oração na voz passiva. O verbo na voz passiva, portanto, não apresenta objeto direto, mas o verbo não deixa de ser transitivo direto:

Israel liberta 20 presos políticos. – voz ativa

                   OD

20 presos políticos são libertados por Israel. – voz passiva

sujeito



Podem exercer a função de objeto direto:

ü substantivo ou expressão substantivada:

Vamos fazer justiça.



ü pronomes oblíquos (o, a, os, as, me, te, se, nos, vos):

A sorte o pegou de surpresa.



ü qualquer pronome substantivo:

A Fórmula 1 perdeu alguém mágico, especial.



ü numeral:

Poupança rende 1,1067%.



ü uma oração:

Aprendi / que ninguém é completamente mau.

1ª or.           2ª or.

à Nesse caso, a oração é classificada como oração subordinada substantiva objetiva direta.



a2. objeto direto preposicionado – é quando o objeto direto é regido por preposição.



Casos obrigatórios:

ü Para evitar ambigüidade, ou seja; para que o objeto direto não se confunda com o sujeito:

Venceu ao bem o mal.

VTD e ODP e Sujeito

Sem a preposição, não se sabe o que venceu o quê. Tanto o bem como o mal podem exercer a função de sujeito ou de objeto direto.



ü quando o objeto direto é expresso por um pronome pessoal oblíquo tônico:

Magoaram a ti.

VTD           OD

Ama ao próximo como a ti mesmo.

VTD     OD                      OD



Casos facultativos:

ü quando o objeto direto é um substantivo próprio ou comum que designa a pessoa, ou o nome próprio Deus:

Convidamos a todos os alunos.

VTD         prep.   OD

Ofendeu a o Geraldo.

VTD    prep.   OD



ü quando o objeto direto é um pronome indefinido que se refere a pessoa:

Não convenci a ninguém.

                    prep.



ü em algumas expressões idiomáticas enfáticas, como: puxar do revólver (da faca, da espada, da arma, etc.); pegar da arma (da pena, do revólver, etc.); cumprir com o dever (com a palavra, com a obrigação, etc.); beber do vinho (da água, do refrigerante, etc.); comer do pão (da carne, etc.):

Comeu do pão.                 Puxei da arma.

              OD                                OD



a3. objeto direto pleonástico – quando se deseja enfatizar a idéia expressa pelo objeto direto, pode-se repetí-lo empregando um pronome pessoal átono. O objeto repetido pelo pronome pessoal átono recebe o nome de objeto direto pleonástico.

Esses filmes, ainda não os vi.

A cidade, não quero mais vê-la nem em cartão postal.

OD e OD pleonástico



a4. objeto indireto – é o termo que completa o sentido do verbo transitivo indireto. Vem sempre regido de preposição clara ou subentendida. As preposições que introduzem o objeto indireto são: a, de, em, para, com, por. O objeto indireto pode ser representado por:



ü substantivo ou expressão substantivada.

O ser humano clama por contato.



ü pronomes substantivos.

Não desconfiava de nada.



ü numeral.

 - Quantos cartões você quer ?

 - Preciso de dois.



ü oração.

Duvido / de que todos tenham aceito a proposta.

à Nesse caso, a oração que funciona como objeto indireto do verbo da oração anterior chama-se subordinada substantiva objetiva indireta.



São transitivos indiretos muitos verbos pronominais, como: lembrar-se, esquecer-se, encarregar-se, aborrecer-se, engajar-se, aplicar-se, referir-se, utilizar-se, valer-se, orgulhar-se, gabar-se, arrepender-se, apropriar-se, queixar-se, zangar-se, etc.



a5. objeto indireto pleonástico – assim como o objeto direto, quando se deseja enfatizar a idéia expressa pelo objeto indireto, pode-se repeti-lo. O objeto indireto pleonástico pode ser representado por um substantivo ou por um pronome pessoal.

Aos demissionários, ofereço-lhes minha solidariedade.

OI                                   OI pleonástico



a6. pronomes pessoais oblíquos como complementos verbais –

 - o, a, os, as (lo, la, los, las, no, na, nos, nas) – funcionam como objeto direto.

 - lhe, lhes – funcionam como objeto indireto.

 - me, te, se, nos, vos – funcionam como objeto direto ou indireto, dependendo da predicação do verbo. Como é praticamente impossível saber a predicação de todos os verbos em português, existe uma regra prática que pode facilitar: substituir o pronome por uma expressão masculina.



ü se não aparecer preposição obrigatória, o pronome exercerá a função de objeto direto.

Eu te convido para a minha formatura.

Eu convido o professor para a minha formatura.

à A preposição não é obrigatória. Logo, o pronome te é objeto direto.



ü se aparecer preposição obrigatória, o pronome exercerá a função de objeto indireto.

Desejo-te boa sorte.

Desejo boa sorte ao amigo.

à A preposição a é obrigatória. Logo, o pronome te é objeto indireto.



B. Complemento Nominal

É o termo que completa o significado do nome (substantivos, adjetivos e advérbios de base nominal, terminados em mente).



- Os jogadores têm muito respeito pelo técnico. ( a expressão pelo técnico está completando o sentido do substantivo respeito ).

- Uma novela deve trazer algo de útil à sociedade. ( a expressão à sociedade completa o sentido do adjetivo útil ).

- Nove parlamentares devem votar favoravelmente à reeleição. ( a expressão à reeleição completa o sentido do advérbio favoravelmente).



Esses nomes de sentido incompleto são, geralmente, derivados de verbos transitivos. É importante observar que o complemento nominal vem sempre precedido de preposição.



Complemento nominal é o termo que, precedido de preposição, completa o sentido de um substantivo, adjetivo ou advérbio. Exerce para o nome a mesma função que o complemento verbal desempenha para o verbo.

Concessionárias intensificam a venda de carros usados.

                                                        CN

Vender carros usados é o novo negócio das concessionárias.

                 OD



O complemento nominal pode ser representado por:

ü substantivo ou expressão substantivada.

Os adversários perderam o respeito pela seleçãos.



ü pronome.

Essa notícia foi desconcertante a todos.



OBS: - quando o pronome é átono, o complemento nominal não vem precedido de preposição.

Fui-lhes favorável.



ü numeral.

Tal atitude foi benéfica aos dois.



ü oração.

Correu a notícia / de que Zumbi estava vivo.

à Nesse caso, a oração será classificada como oração subordinada substantiva completiva nominal.



OBS: - O complemento nominal pode fazer parte de vários termos como: sujeito, objeto direto, objeto indireto, predicativo, agente da passiva, adjunto adverbial, aposto e vocativo. Veja:

A destruição das matas é condenável.

sujeito: A destruição das matas (núcleo: destruição).

complemento nominal: das matas.

O professor orientou a leitura das obras clássicas.

OD: a leitura das obras clássicas.

complemento nominal: das obras clássicas.



C. Agente da Passiva

É o termo que indica o ser que pratica a ação, quando o verbo está na voz passiva. Vem regido pela preposição por e, eventualmente, pela preposição de.



Observe, que o agente da passiva corresponde ao sujeito da voz ativa:

O processo foi paralisado pelo governo. – voz passiva

sujeito                        ag. da passiva



O governo paralisou o processo.  – voz ativa

sujeito                   OD



Embora o agente da passiva seja um termo integrante, ele pode ser muitas vezes omitido. 

O processo foi paralisado.



O agente da passiva pode ocorrer também na voz passiva sintética. Assim:

A enciclopédia compõe-se de 25 volumes.

                                          ag. da passiva



O agente da passiva pode ser representado por:

ü substantivo ou expressão substantivada.

Os bairros mais pobres foram muito afetados pelo furacão.



ü numeral.

O projeto foi elaborado pelos três.



ü pronome.

A melhor história foi contada por ela.



ü oração.

O caso foi denunciado por quem cuida da criança.

Neste caso, a oração é classificada como oração subordinada substantiva agente da passiva. Essa oração não é registrada pela NGB, mas existe.

São aqueles que não são indispensáveis para o entendimento do enunciado. No entanto, acrescentam uma informação nova a um nome ou a um verbo, determinando-lhes o significado. Compare as frase:

a. sem termo acessório: Índio fará curso.

b. com termo acessório: Índio acreano fará curso na Suíça.



A. Adjunto Adnominal

É o termo que especifica ou delimita o significado de um substantivo. Pode ser expresso por:

ü adjetivo: Catedral de Curitiba vai ter vigilância eletrônica.

ü locução adjetiva: Bolsas de estudo para cursos a distância.

                            Ele é especialista em economia do império.

ü artigo: A genética supera os preconceitos.

ü pronome adjetivo: A tristeza tem seus significados.

ü numeral: Um balão pode voar até sete mil metros de altura.

ü oração: As florestas acreanas, / que concentram uma das maiores quantidades de recursos biológicos do planeta, / estão sendo alvo da biopirataria internacional.

à Nesse caso, a oração será classificada como oração subordinada adjetiva (restritiva ou explicativa).



€ Diferença entre complemento nominal e adjunto adnominal (na forma de locução adjetiva).

1. Se a locução vier associada a adjetivo ou advérbio, ela será sempre complemento nominal, uma vez que o adjunto só modifica o substantivo.

Sua pesquisa é útil a todos.

                         adj.  CN

Poucos deputados manifestaram-se contrariamente à aprovação do projeto de lei de aposentadoria.                                                         

                                                               adv.                          CN



2. Se a locução vier associada a um substantivo, poderá exercer a função de complemento nominal ou adjunto adnominal.

ü Será adjunto adnominal se o substantivo a que se refere for concreto ou se essa locução puder ser transformada em adjetivo, uma vez que o complemento só se refere a substantivo abstrato:

Vaso de porcelana.

Livro de geografia.

Caneta do José.

Ondas do mar. ( = marítimas )

subst. concreto e adj. adn. e adj.



ü Se a locução referir-se a um substantivo abstrato (muito exigido em vestibulares), será:

 - adjunto adnominal – se indicar o agente (executor) da ação expressa pelo nome;

 - complemento nominal – se for o paciente (alvo) da ação.



Em suma, se a locução tiver valor de sujeito, será adjunto adnominal; se equivaler a objeto, será complemento nominal.

Amor de pai.                                        Amor ao pai.



 - No 1º caso, a expressão de pai funciona como adjunto adnominal, pois pai é agente de amar (o pai ama; pai = sujeito). Portanto o adjunto adnominal pode ser agente da ação expressa pelo nome.



 - Na 2ª situação, a expressão ao pai exerce a função sintática de complemento nominal, pois pai é paciente de amar (ama o pai; o pai = objeto direto).



Outro exemplo:

A invasão da Bélgica pelas tropas alemãs ocorreu em 1914.

A locução da Bélgica exerce a função sintática de complemento nominal, pois é paciente da ação de invadir. Já a expressão pelas tropas alemãs funciona como adjunto adnominal, uma vez que é agente da ação de invadir.



€ Diferença entre adjunto adnominal e predicativo do objeto.

Vi um filme excelente.                           Considero o filme excelente.

                   adj. adnominal                                           pred. do objeto



Passando essas duas frases para a voz passiva, notaremos que o adjunto adnominal continuará exercendo a mesma função ao passo que o predicativo do objeto passará a exercer a função de predicativo do sujeito:

Um filme excelente foi visto por mim.        O filme é considerado excelente por mim.

            adj. adnominal                                                       pred. do sujeito

Substituindo o termo em questão por um pronome oblíquo, o adjunto adnominal desaparece e o predicativo permanece:

O homem indecente foi julgado. = Ele foi julgado.
O juiz condenou o homem indecente. = O juiz condenou-o.
O juiz considerou o homem indecente. = O juiz considerou-o indecente.





B. Adjunto Adverbial

É o termo da oração que indica uma circunstância do fato expresso pelo verbo ou intensifica o sentido do verbo, do adjetivo e do advérbio.

O adjunto adverbial exerce, portanto, a função de modificador e de intensificador.

Vão viajar amanhã.   à       modificador

Viajam muito.          à       intensificador

Estão muito ansiosos.         à       intensificador

Redigem muito bem.  à       intensificador

O adjunto adverbial pode se referir a uma oração inteira, incidindo sobre ela: Felizmente, todos estão aprovados. / Infelizmente, todos foram reprovados.
Pode aparecer com qualquer tipo de verbo, inclusive o de ligação.



P Classificação dos adjuntos adverbiais

Eis alguns tipos de adjuntos adverbiais:

causa: As crianças gritavam de dor.

companhia: Só saía com os pais.

condição: A adoção de um adolescente só é feita com o seu consentimento.

dúvida: Talvez ela se digne a falar comigo.

finalidade: Haviam deixado um espaço para a colocação da mesa.

instrumento: Batia com a caneta sobre o livro.

intensidade: A mulher se diverte muito no trabalho.

lugar: Sou um lírio na correnteza.

meio: Passei a tentar levar o barco pelo leme.

modo: Volta pacientemente ao ponto de partida para recomeçar.

negação: O suposto mar não passaria de um deserto gelado.

tempo: A gente não devia crescer nunca.



O adjunto adverbial pode ser expresso por:

ü advérbio.

Entrar ilegalmente nos Estados Unidos pelo México é uma empreitada de alto risco.



ü locução adverbial.

Nos anos 30, muitos países europeus já tinham aprovado leis de “higiene racial”.



ü oração.

Quando o Dr. Renato ouvia falar em operação de risco, ele pensava em cirurgia.

à Nesse caso, a oração será classificada como oração subordinada adverbial.



ü pronome oblíquo (comigo, contigo, consigo, conosco, convosco).

Fique comigo.



O mesmo adjunto adverbial pode expressar mais de uma circunstância:

-Moramos longíssimo daqui.

            -lugar e intensidade

-Jamais voltarei a esta cidade.

-tempo e negação

-Saiu da sala devagarinho. - modo e intensidade



C. Aposto

É o termo da oração que se anexa a um substantivo ou a um pronome, explicando-o, enumerando-o, especificando-o, resumindo-o, distribuindo-o ou comparando-o.

Jorge, o cozinheiro, lembrou que peixe cru é muito nutritivo.

 - O aposto o cozinheiro está anexado ao substantivo Jorge.

Nós, os artistas, adoramos ser “estraçalhados”.

 - O aposto os artistas refere-se ao pronome Nós.



ü o aposto vem separado dos demais termos da oração por vírgula, dois-pontos, travessão ou parênteses:

A happy hour – o agradável bate-papo do fim de tarde – pode esconder um perigo: o abuso de álcool.



ü o aposto pode anteceder o nome a que se refere:

Pioneiros do estudo da radioatividade, Marie e Pierre Curie ganharam o prêmio Nobel de física de 1903.



ü o aposto pode ser representado por uma oração denominada oração subordinada substantiva apositiva:

Então aconteceu o inesperado: elegeu-se para prefeito. à a oração apositiva elegeu-se para prefeito explica o termo inesperado.



c1. Tipos de Aposto:

ü enumerador – é o aposto que desenvolve uma ideia anterior: Debaixo de um juazeiro grande, todo um bando de retirantes se arranchara: uma velha, dois homens, uma mulher nova, algumas crianças.



ü resumidor – resume termos anteriores. Geralmente expressa-se através de um pronome indefinido: Dinheiro, amor, férias, nada a seduzia.



ü especificador – individualiza um substantivo de sentido genérico. Normalmente é um nome próprio de pessoa ou lugar e não aparece entre vírgulas.

- O presidente Vargas cometeu suicídio.

- O escritor Euclides da Cunha relatou a Guerra de Canudos em seu livro Os sertões.

- A cidade de São Paulo é a campeã brasileira em poluição ambiental.

- Em 1969, o embaixador norte-americano Charles Elbric foi seqüestrado por militantes de esquerda.



· Diferença entre adjunto adnominal e aposto:

Não se deve confundir o aposto especificador com o adjunto adnominal. Compare:



A cidade de Recife continua linda à aposto especificador

(Recife = cidade).



O clima de Recife é bastante quente à adjunto adnominal

(tem função adjetiva).



Faço aniversário no mês de junho à aposto especificador

(mês = junho).



As festas de junho são muito populares na região do nordeste à adjunto adnominal

(tem função adjetiva - festas de junho = juninas).



D. Vocativo

É um termo independente da oração, pois não pertence nem ao sujeito nem ao predicado. É o termo utilizado para chamar, interpelar, invocar um ouvinte, real ou hipotético. Por seu tom exclamativo, geralmente se relaciona à segunda pessoa do discurso.
Vem do latim vocare = chamar.



Geralmente é separado por vírgula dos outros termos da oração e pode vir precedido de interjeições de apelo como: ó! (não confunda com a interjeição de espanto oh!), olá!, eh!, ei!

Bem-vindo, presidente!

Adeus, ano-velho.

Traga-me, vinho, o amor e a juventude.

Fulguras, ó Brasil, florão da América - Hino Nacional Brasileiro



O vocativo pode aparecer no início, no meio ou no final da oração:

 - Joana, leia o poema.

 - Leia, Joana, o poema.

 - Leia o poema, Joana.



O vocativo pode vir separado da oração quando ocorre mudança do interlocutor:

 - Roberto.

 - O quê ?

 - Venha almoçar.

O termo Roberto, que é o vocativo, vem separado da oração Venha almoçar, o que demonstra que se trata de um termo independente, não pertence à estrutura da oração.

Funções do QUE - Prof. Dílson Catarino


Agora veremos todas as possibilidades de ocorrência da palavra  “que”. Depois desta dica, não restará dúvida quanto à classificação desse complicado vocábulo que tantas dificuldades traz aos vestibulandos e estudantes em geral. Pode exercer funções de todas as classes gramaticais, exceto as de adjetivo, verbo, artigo e numeral. Vamos à teoria. A palavra “que” pode ser o seguinte:


Substantivo:

Quando o “que” for substantivo, terá o sentido de qualquer coisa ou alguma coisa, será modificado geralmente por um artigo ou outro determinante e será sempre acentuado.

Ex. Esta menina tem um quê de mistério. = Esta menina tem alguma coisa misteriosa.

Advérbio:

Quando o “que” for advérbio, intensificará adjetivos e advérbios e poderá ser substituído por quão, quanto ou muito. Em geral, é usado em frases exclamativas.

Ex. Que linda é essa garota! = Quão linda é essa garota!

Que doido fui eu não aceitando aquela proposta! = Quão doido fui...

Que longe fica sua casa! = Quão longe fica sua casa.


Preposição:

Quando o “que” funcionar como preposição, equivalerá à preposição de ou para, sendo usado em locuções verbais que têm, como auxiliares, ter ou haver, embora muitos teóricos considerem esse uso informal. Pode ser substituído pelo verbo precisar.

Ex. Tenho que trazer meus documentos até amanhã. = Tenho de trazer meus documentos até amanhã. (Preciso trazer meus documentos até amanhã.)


Interjeição:

Quando o  “que” for interjeição, exprimirá emoção, estado de espírito e será sempre seguido de ponto de exclamação e acentuado. Poderá ser substituído por outra interjeição.

Ex. Quê! Jusperino suicidou-se? = Meu Deus! Jusperino suicidou-se?

Quê! Você por aqui também? = Uai! Você por aqui também?


Partícula Expletiva ou de Realce:

Quando o “que” for partícula expletiva, será empregado para realçar. Sua retirada não alterará o sentido da frase, pois não desempenha função sintática, seu uso é apenas estilístico (ênfase, expressividade). Poderá também ser usado na locução expletiva é que.

Ex. Por pouco que a gente não brigou com ele. = Por pouco a gente não brigou com ele.

Nós é que trouxemos o material. = Nós trouxemos o material.


Pronome

a) Pronome Interrogativo

Quando o  “que” for pronome interrogativo, substituirá, nas frases interrogativas, o elemento sobre o qual se desejar resposta.

Ex. Que você disse? = Você disse algo.

Gostaria de saber que homem me procurou. = O homem procurou alguém.

* Nota: É inadequado o uso da palavra "o", antes do pronome interrogativo que, a menos que o pronome seja colocado depois do verbo, ou seja, a língua culta não admite perguntas como  “O que você disse?”, apesar de ser expressão corrente em nosso país. A literatura já registra tais construções.


b) Pronome Indefinido

Quando o  “que” for pronome indefinido, aparecerá antes de substantivos em frases geralmente exclamativas e poderá ser substituído por  quanto,  quanta,  quantos  e quantas.

Ex. Que sujeira havia naquele quarto. = Quanta sujeira havia naquele quarto.

Que miséria há no Brasil! = Quanta miséria há no Brasil!


c) Pronome Adjetivo

Quando o  “que” for pronome adjetivo, aparecerá antes de substantivo, apenas modificando-o. Não o confunda com o pronome indefinido.

Ex. Que mulher linda aquela! (Perceba que não há a possibilidade de substituí-lo por quanto, quanta, quantos ou quantas; ele apenas modifica o substantivo, a fim de tornar a frase exclamativa. Por isso mesmo, é também denominado de pronome exclamativo.)


d) Pronome Relativo

Quando o “que” for pronome relativo, aparecerá retomando um termo anterior, chamado de antecedente, substituindo esse termo na próxima oração, inicia uma oração subordinada adjetiva, restritiva ou explicativa, e poderá ser substituído por o  qual,  a qual,  os quais,  as quais. Como pronome relativo, a palavra que exerce função sintática: sujeito, objeto direto, objeto indireto, agente da passiva, complemento nominal, predicativo do sujeito, predicativo do objeto e adjunto adverbial.

Ex. Achei muito bela a garota que você me apresentou. = Achei muito bela a garota a qual você me apresentou.


Conjunção

Conjunção Coordenativa

a) Conjunção Coordenativa Aditiva

Quando o  “que” for conjunção coordenativa aditiva, iniciará oração coordenada sindética aditiva, aparecerá sempre entre duas formas verbais iguais e terá valor bastante próximo da conjunção e.

Ex. Falava que falava, mas não convencia ninguém.

Bebia que bebia, ignorando o risco que corria.

b) Conjunção Coordenativa Explicativa

Quando o  “que” for conjunção coordenativa explicativa, iniciará oração coordenada sindética explicativa, justificando uma sugestão, ordem ou suposição, e poderá ser substituída por  pois ou  porque, que também são conjunções coordenativas explicativas.

Ex. Venha até aqui,  que preciso falar-lhe. = Venha até aqui, pois preciso  falar-lhe.

c) Conjunção Coordenativa Adversativa

Quando o  “que” for conjunção coordenativa adversativa, iniciará oração coordenada sindética adversativa, indicará oposição, ressalva e apresentará valor equivalente a mas.

Ex. Outra pessoa, que não eu, deveria cumprir essa  tarefa. = Outra pessoa, mas não eu...


Conjunção Subordinativa

a) Conjunção Subordinativa Integrante.

Quanto o  “que” for conjunção subordinativa integrante, iniciará oração que exerce função de sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo e aposto não iniciado por pronome relativo. A oração iniciada pela conjunção integrante será chamada de oração subordinada substantiva. É a única conjunção sem valor semântico específico, e apenas liga as orações.

Ex. Acho  que você está equivocado. (A oração “que você está equivocado” funciona como objeto direto do verbo achar, denominada oração subordinada substantiva objetiva direta)

Ela só pensa em uma coisa: que seu filho seja aprovado. (A oração “que seu filho seja aprovado” funciona como aposto, denominada oração subordinada substantiva apositiva)

b) Conjunção Subordinativa Consecutiva

Quando o “que” for conjunção subordinativa consecutiva, iniciará oração subordinada adverbial consecutiva e aparecerá, em geral, com um termo intensificador iniciado pela letra T, nas expressões  tão... que,  tanto... que, tamanho... que e tal... que, e nas expressões 'de modo / maneira / forma / sorte que'

Ex. Ele gritou tanto que ficou rouco. = A conseqüência de ele ter gritado muito foi ter ficado rouco.

c) Conjunção subordinativa Comparativa

Quando o “que” for conjunção subordinativa comparativa, iniciará oração subordinada adverbial comparativa e aparecerá nas expressões mais... que, menos... que.

Ex. Ele é mais inteligente que o irmão.

Resumo - Concordância verbal

Ocorre quando o verbo se flexiona para concordar com o seu sujeito.
Exemplos:

Ele gostava daquele seu jeito carinhoso de ser./ Eles gostavam daquele seu jeito carinhoso de ser.

Casos de concordância verbal:

1) Sujeito simples

Regra geral:
O verbo concorda com o núcleo do sujeito em número e pessoa.

Ex.: Nós vamos ao cinema.
O verbo (vamos) está na primeira pessoa do plural para concordar com o sujeito (nós).

Casos especiais:

a) O sujeito é um coletivo - o verbo fica no singular.

Ex.: A multidão gritou pelo rádio.

Atenção:
Se o coletivo vier especificado, o verbo pode ficar no singular ou ir para o plural.

Ex.: A multidão de fãs gritou./ A multidão de fãs gritaram.

b) Coletivos partitivos (metade, a maior parte, maioria, etc.) – o verbo fica no singular ou vai para o plural.

Ex.: A maioria dos alunos foi à excursão./ A maioria dos alunos foram à excursão.

c) O sujeito é um pronome de tratamento - embora se refira a 2ª pessoa, o verbo concorda na 3ª pessoa.

Ex.: Vossa Alteza pediu silêncio./ Vossas Altezas pediram silêncio.

d) O sujeito é o pronome relativo "que" – o verbo concorda com o antecedente do pronome.

Ex.: Fui eu que derramei o café./ Fomos nós que derramamos o café.

e) O sujeito é o pronome relativo "quem" - o verbo pode ficar na 3ª pessoa do singular ou concordar com o antecedente do pronome, quando se pretende fazer uma concordância enfática.

Ex.: Fui eu quem derramou o café./ Fui eu quem derramei o café.

f) O sujeito é formado pelas locuções pronominais: alguns de nós, poucos de vós, quais de..., quantos de..., etc. - o verbo poderá concordar com o pronome interrogativo ou indefinido ou com o pronome pessoal (nós ou vós).

Ex.: Quais de vós me punirão?/ Quais de vós me punireis?

Dicas:
Com os pronomes interrogativos ou indefinidos no singular, o verbo concorda com eles em pessoa e número.

Ex.: Qual de vós me punirá.

g) O sujeito é formado de nomes que só aparecem no plural - se o sujeito não vier precedido de artigo, o verbo ficará no singular. Caso venha antecipado de artigo, o verbo concordará com o artigo.

Ex.: Estados Unidos é uma nação poderosa./ Os Estados Unidos são a maior potência mundial.

Dicas:
Com nomes de obras literárias, o verbo pode ficar no singular ou no plural.

Ex.: Os Sertões conta a guerra de Canudos. / Os Sertões contam a guerra de Canudos.

h) O sujeito é formado pelas expressões numéricas aproximativas: mais de um, menos de dois, cerca de, perto de..., etc. – o verbo concorda com o numeral.

Ex.: Mais de um aluno não compareceu à aula./ Mais de cinco alunos não compareceram à aula.

Dica:
Com a expressão 'mais de um', o verbo só vai para o plural se a expressão vier repetida ou indicar reciprocidade.

Ex.: Mais de um professor, mais de um diretor participaram da reunião. / Mais de um político ofenderam-se.

i) O sujeito é constituído pelas expressões: a maioria, a maior parte, grande parte, etc. - o verbo poderá ser usado no singular (concordância lógica) ou no plural (concordância atrativa).

Ex.: A maioria dos candidatos desistiu./ A maioria dos candidatos desistiram.

j) O sujeito tiver por núcleo a palavra gente (sentido coletivo) - o verbo poderá ser usado no singular ou plural, se este vier afastado do substantivo.

Ex.: A gente da cidade, temendo a violência da rua, permanece em casa./ A gente da cidade, temendo a violência da rua, permanecem em casa.

2) Sujeito composto

Regra geral
O verbo vai para o plural.

Ex.: João e Maria foram passear no bosque.

Casos especiais:

a) Os núcleos do sujeito são constituídos de pessoas gramaticais diferentes - o verbo ficará no plural seguindo-se a ordem de prioridade: 1ª, 2ª e 3ª pessoa.

Ex.: Eu (1ª pessoa) e ele (3ª pessoa) nos tornaremos (1ª pessoa plural) amigos.
O verbo ficou na 1ª pessoa porque esta tem prioridade sob a 3ª.

Ex: Tu (2ª pessoa) e ele (3ª pessoa) vos tornareis (2ª pessoa do plural) amigos.
O verbo ficou na 2ª pessoa porque esta tem prioridade sob a 3ª.

Atenção:
No caso acima, também é comum a concordância do verbo com a terceira pessoa.

Ex.: Tu e ele se tornarão amigos. (3ª pessoa do plural)

Se o sujeito estiver posposto, permite-se também a concordância por atração com o núcleo mais próximo do verbo.

Ex.: Irei eu e minhas amigas.

b) Os núcleos do sujeito estão coordenados assindeticamente / justapostos ou ligados por “e” - o verbo concordará com os dois núcleos.

Ex.: A jovem e a sua amiga seguiram a pé.

Atenção:
Se o sujeito estiver posposto, permite-se a concordância por atração com o núcleo mais próximo do verbo. Se indicar reciprocidade, o verbo vai para o plural.

Ex.: Seguiria a pé a jovem e a sua amiga. / Abraçaram-se o pai e o filho.

c) Os núcleos do sujeito são sinônimos (ou quase) e estão no singular - o verbo poderá ficar no plural (concordância lógica) ou no singular (concordância atrativa). 

Ex.: A angústia e ansiedade não o ajudavam a se concentrar./ A angústia e ansiedade não o ajudava a se concentrar.

d) Quando os núcleos estão dispostos em gradação - o verbo pode concordar com todos os núcleos (lógica) ou apenas com o núcleo mais próximo. 

Ex.: Uma palavra, um gesto, um olhar bastavam./ Uma palavra, um gesto, um olhar bastava.

e) Quando os sujeitos forem resumidos por um pronome indefinido: nada, tudo, ninguém... - o verbo concordará com o aposto resumidor.

Ex.: Os pedidos, as súplicas, o desespero, nada o comoveu.

f) Quando o sujeito for constituído pelas expressões: um e outro, nem um nem outro... - o verbo poderá ficar no singular ou no plural.

Ex.: Um e outro já veio./ Um e outro já vieram.

g) Quando os núcleos do sujeito estiverem ligados por ou - o verbo irá para o singular quando a ideia for de exclusão ou sinonímia, e para o plural quando for de inclusão ou retificação.
Exemplos:

Pedro ou Antônio ganhará o prêmio. (exclusão)
O sujeito inexistente ou oração sem sujeito é muito exigido em concursos. (sinonímia)
A poluição sonora ou a poluição do ar são nocivas ao homem. (adição, inclusão)
Um juiz ou um advogado ouvem muito bem quanto um psicólogo. (retificação)

h) Quando os sujeitos estiverem ligados pelas séries correlativas (tanto... como/ assim... como/ não só... mas também, etc.) - o que comumente ocorre é o verbo ir para o plural, embora o singular seja aceitável se os núcleos estiverem no singular.
Exemplos:

Tanto Erundina quanto Collor perderam as eleições municipais em São Paulo.

Tanto Erundina quanto Collor perdeu as eleições municipais em São Paulo.

Outros casos:

1) Partícula “SE”:

a- Partícula apassivadora: o verbo (transitivo direto ou transitivo direto e indireto) concordará com o sujeito passivo.

Ex.: Vende-se carro./ Vendem-se carros.

b- Índice de indeterminação do sujeito: o verbo (transitivo indireto, intransitivo, de ligação ou transitivo direto seguido de objeto direto preposicionado) ficará, obrigatoriamente, no singular.
Exemplos:

Precisa-se de secretárias.
Confia-se em teses estranhas.
Ainda se vai à missa no interior.
Era-se mais feliz naquela casa.
Ouviu-se às músicas.

2) Verbos impessoais

São aqueles que não possuem sujeito. Portanto, ficarão sempre na 3ª pessoa do singular, independentemente do restante da frase estar no singular ou no plural.
Exemplos:

Havia sérios problemas na cidade.
Fazia quinze anos que ele havia parado de estudar.
Deve haver sérios problemas na cidade.
Vai fazer quinze anos que ele parou de estudar.

Dicas:
Os verbos auxiliares (deve, vai) acompanham os verbos principais e transmitem a eles sua impessoalidade.
O verbo existir é pessoal. Veja:

Existem sérios problemas na cidade.
Devem existir sérios problemas na cidade.

3) Verbos dar, bater e soar

Quando usados na indicação de horas, possuem sujeito e com ele devem concordar.
Exemplos:

O relógio deu duas horas.
Deram duas horas no relógio da estação.
Deu uma hora no relógio da estação.
O sino da igreja bateu cinco badaladas.
Bateram cinco badaladas no sino da igreja.
Soaram dez badaladas no relógio da escola.

4) Sujeito oracional

Quando o sujeito é uma oração subordinada substantiva subjetiva, o verbo da oração principal fica na 3ª pessoa do singular, ainda que a oração seja reduzida. Se houver um adjetivo, ele ficará invariável, exceto se os núcleos forem antônimos ou estiverem determinados.

Ex.: Ainda falta dar os últimos retoques na pintura.

5) Concordância com o infinitivo

a) Infinitivo pessoal e sujeito expresso na oração:

- não se flexiona o infinitivo se o sujeito for representado por pronome pessoal oblíquo átono.

Ex.: Esperei-as chegar.

- é facultativa a flexão do infinitivo se o sujeito for representado por substantivo e se o verbo da oração determinada pelo infinitivo for causativo (deixar, mandar, fazer) ou sensitivo (ver, ouvir e sentir).
Exemplos:

Mandei sair os irmãos.
Mandei saírem os irmãos.

- flexiona-se obrigatoriamente o infinitivo se o sujeito for diferente de pronome átono e determinante de verbo não causativo nem sensitivo.

Ex.: Esperei saírem todos.

b) Infinitivo pessoal e sujeito oculto

- não se flexiona o infinitivo precedido de preposição com valor de gerúndio.
Ex.: Passamos horas a comentar o filme. (comentando)

- é facultativa a flexão do infinitivo quando seu sujeito for idêntico ao da oração principal.
Ex.: Antes de (tu) responder, (tu) lerás o texto./Antes de (tu) responderes, (tu) lerás o texto.

- é facultativa a flexão do infinitivo que tem seu sujeito diferente do sujeito da oração principal e está indicado por algum termo do contexto.
Ex.: Ele nos deu o direito de contestar./Ele nos deu o direito de contestarmos.

- é obrigatória a flexão do infinitivo que tem seu sujeito diferente do sujeito da oração principal e não está indicado por nenhum termo no contexto.
Ex.: Não sei como saiu sem notarem o fato.

c) Quando o infinitivo pessoal está em uma locução verbal

- não se flexiona o infinitivo, sendo este o verbo principal da locução verbal, quando em virtude da ordem dos termos da oração, sua ligação com o verbo auxiliar for nítida.

Ex.: Acabamos de fazer os exercícios.

- é facultativa a flexão do infinitivo, sendo este o verbo principal da locução verbal, quando o verbo auxiliar estiver afastado ou oculto.
Exemplos:

Não devemos, depois de tantas provas de honestidade, duvidar e reclamar dela.
Não devemos, depois de tantas provas de honestidade, duvidarmos e reclamarmos dela.

6) Concordância com o verbo ser:

a - Quando, em predicados nominais, o sujeito for representado por um dos pronomes: tudo, nada, isto, isso, aquilo - o verbo “ser” ou “parecer” concordarão com o predicativo.
Exemplos:

Tudo são flores.
Aquilo parecem ilusões.

Dicas:
Poderá ser feita a concordância com o sujeito quando se quer enfatizá-lo.

Ex.: Aquilo é sonhos vãos.

b - O verbo ser concordará com o predicativo quando o sujeito for os pronomes interrogativos: que ou quem.
Exemplos:

Que são gametas?
Quem foram os escolhidos?

c - Em indicações de horas, datas, distâncias - a concordância será feita com a expressão numérica
Exemplos:

São nove horas.
É uma hora.

Dicas:
Em indicações de datas, são aceitas as duas concordâncias, pois subentende-se a palavra dia.
Exemplos:

Hoje são 24 (dias do mês) de outubro.
Hoje é (dia) 24 de outubro.

Com a palavra 'dia' expressa na frase, o verbo ser fica no singular.

Exemplo:

Hoje é dia 24 de outubro.
d - Quando o sujeito ou predicativo da oração for pronome pessoal, a concordância se dará com o pronome.

Ex.: Aqui o presidente sou eu.

Dicas:
Se os dois termos (sujeito e predicativo) forem pronomes, a concordância será com o que aparece primeiro, considerando o sujeito da oração.

Ex.: Eu não sou tu

e - Se o sujeito for pessoa, a concordância nunca se fará com o predicativo.

Ex.: O menino era as esperanças da família.

f - Nas locuções: é pouco, é muito, é mais de, é menos de, junto a especificações de quantidade, peso, medida, preço, tempo, valor etc., o verbo fica sempre no singular.
Exemplos:

Cento e cinquenta é pouco.
Cem metros é muito.

g - Nas expressões do tipo: ser preciso, ser necessário, ser bom, o verbo e o adjetivo pode ficar invariável (verbo na 3ª pessoa do singular e adjetivo no masculino singular) ou concordar com o sujeito posposto.
Exemplos:

É necessário aqueles materiais.
São necessários aqueles materiais.

h - Na expressão: é que, usada como expletivo, se o sujeito da oração não aparecer entre o verbo “ser” e o “que”, ficará invariável. Se aparecer, o verbo concordará com o sujeito.
Exemplos:

Eles é que sempre chegam atrasados.
São eles que sempre chegam atrasados.