Monday, June 1, 2020

Termos Integrantes da Oração, Termos Acessórios da Oração e Vocativo - Prof. Dílson Catarino

São aqueles que integram, i.e., completam o sentido de verbos e nomes transitivos. São indispensáveis à compreensão da mensagem.



A. Complemento Verbal

a1. objeto direto – é o termo que completa o sentido de um verbo transitivo direto. Normalmente não vem regido de preposição.

O objeto direto só existe nas vozes ativa e reflexiva e torna-se sujeito da mesma oração na voz passiva. O verbo na voz passiva, portanto, não apresenta objeto direto, mas o verbo não deixa de ser transitivo direto:

Israel liberta 20 presos políticos. – voz ativa

                   OD

20 presos políticos são libertados por Israel. – voz passiva

sujeito



Podem exercer a função de objeto direto:

ü substantivo ou expressão substantivada:

Vamos fazer justiça.



ü pronomes oblíquos (o, a, os, as, me, te, se, nos, vos):

A sorte o pegou de surpresa.



ü qualquer pronome substantivo:

A Fórmula 1 perdeu alguém mágico, especial.



ü numeral:

Poupança rende 1,1067%.



ü uma oração:

Aprendi / que ninguém é completamente mau.

1ª or.           2ª or.

à Nesse caso, a oração é classificada como oração subordinada substantiva objetiva direta.



a2. objeto direto preposicionado – é quando o objeto direto é regido por preposição.



Casos obrigatórios:

ü Para evitar ambigüidade, ou seja; para que o objeto direto não se confunda com o sujeito:

Venceu ao bem o mal.

VTD e ODP e Sujeito

Sem a preposição, não se sabe o que venceu o quê. Tanto o bem como o mal podem exercer a função de sujeito ou de objeto direto.



ü quando o objeto direto é expresso por um pronome pessoal oblíquo tônico:

Magoaram a ti.

VTD           OD

Ama ao próximo como a ti mesmo.

VTD     OD                      OD



Casos facultativos:

ü quando o objeto direto é um substantivo próprio ou comum que designa a pessoa, ou o nome próprio Deus:

Convidamos a todos os alunos.

VTD         prep.   OD

Ofendeu a o Geraldo.

VTD    prep.   OD



ü quando o objeto direto é um pronome indefinido que se refere a pessoa:

Não convenci a ninguém.

                    prep.



ü em algumas expressões idiomáticas enfáticas, como: puxar do revólver (da faca, da espada, da arma, etc.); pegar da arma (da pena, do revólver, etc.); cumprir com o dever (com a palavra, com a obrigação, etc.); beber do vinho (da água, do refrigerante, etc.); comer do pão (da carne, etc.):

Comeu do pão.                 Puxei da arma.

              OD                                OD



a3. objeto direto pleonástico – quando se deseja enfatizar a idéia expressa pelo objeto direto, pode-se repetí-lo empregando um pronome pessoal átono. O objeto repetido pelo pronome pessoal átono recebe o nome de objeto direto pleonástico.

Esses filmes, ainda não os vi.

A cidade, não quero mais vê-la nem em cartão postal.

OD e OD pleonástico



a4. objeto indireto – é o termo que completa o sentido do verbo transitivo indireto. Vem sempre regido de preposição clara ou subentendida. As preposições que introduzem o objeto indireto são: a, de, em, para, com, por. O objeto indireto pode ser representado por:



ü substantivo ou expressão substantivada.

O ser humano clama por contato.



ü pronomes substantivos.

Não desconfiava de nada.



ü numeral.

 - Quantos cartões você quer ?

 - Preciso de dois.



ü oração.

Duvido / de que todos tenham aceito a proposta.

à Nesse caso, a oração que funciona como objeto indireto do verbo da oração anterior chama-se subordinada substantiva objetiva indireta.



São transitivos indiretos muitos verbos pronominais, como: lembrar-se, esquecer-se, encarregar-se, aborrecer-se, engajar-se, aplicar-se, referir-se, utilizar-se, valer-se, orgulhar-se, gabar-se, arrepender-se, apropriar-se, queixar-se, zangar-se, etc.



a5. objeto indireto pleonástico – assim como o objeto direto, quando se deseja enfatizar a idéia expressa pelo objeto indireto, pode-se repeti-lo. O objeto indireto pleonástico pode ser representado por um substantivo ou por um pronome pessoal.

Aos demissionários, ofereço-lhes minha solidariedade.

OI                                   OI pleonástico



a6. pronomes pessoais oblíquos como complementos verbais –

 - o, a, os, as (lo, la, los, las, no, na, nos, nas) – funcionam como objeto direto.

 - lhe, lhes – funcionam como objeto indireto.

 - me, te, se, nos, vos – funcionam como objeto direto ou indireto, dependendo da predicação do verbo. Como é praticamente impossível saber a predicação de todos os verbos em português, existe uma regra prática que pode facilitar: substituir o pronome por uma expressão masculina.



ü se não aparecer preposição obrigatória, o pronome exercerá a função de objeto direto.

Eu te convido para a minha formatura.

Eu convido o professor para a minha formatura.

à A preposição não é obrigatória. Logo, o pronome te é objeto direto.



ü se aparecer preposição obrigatória, o pronome exercerá a função de objeto indireto.

Desejo-te boa sorte.

Desejo boa sorte ao amigo.

à A preposição a é obrigatória. Logo, o pronome te é objeto indireto.



B. Complemento Nominal

É o termo que completa o significado do nome (substantivos, adjetivos e advérbios de base nominal, terminados em mente).



- Os jogadores têm muito respeito pelo técnico. ( a expressão pelo técnico está completando o sentido do substantivo respeito ).

- Uma novela deve trazer algo de útil à sociedade. ( a expressão à sociedade completa o sentido do adjetivo útil ).

- Nove parlamentares devem votar favoravelmente à reeleição. ( a expressão à reeleição completa o sentido do advérbio favoravelmente).



Esses nomes de sentido incompleto são, geralmente, derivados de verbos transitivos. É importante observar que o complemento nominal vem sempre precedido de preposição.



Complemento nominal é o termo que, precedido de preposição, completa o sentido de um substantivo, adjetivo ou advérbio. Exerce para o nome a mesma função que o complemento verbal desempenha para o verbo.

Concessionárias intensificam a venda de carros usados.

                                                        CN

Vender carros usados é o novo negócio das concessionárias.

                 OD



O complemento nominal pode ser representado por:

ü substantivo ou expressão substantivada.

Os adversários perderam o respeito pela seleçãos.



ü pronome.

Essa notícia foi desconcertante a todos.



OBS: - quando o pronome é átono, o complemento nominal não vem precedido de preposição.

Fui-lhes favorável.



ü numeral.

Tal atitude foi benéfica aos dois.



ü oração.

Correu a notícia / de que Zumbi estava vivo.

à Nesse caso, a oração será classificada como oração subordinada substantiva completiva nominal.



OBS: - O complemento nominal pode fazer parte de vários termos como: sujeito, objeto direto, objeto indireto, predicativo, agente da passiva, adjunto adverbial, aposto e vocativo. Veja:

A destruição das matas é condenável.

sujeito: A destruição das matas (núcleo: destruição).

complemento nominal: das matas.

O professor orientou a leitura das obras clássicas.

OD: a leitura das obras clássicas.

complemento nominal: das obras clássicas.



C. Agente da Passiva

É o termo que indica o ser que pratica a ação, quando o verbo está na voz passiva. Vem regido pela preposição por e, eventualmente, pela preposição de.



Observe, que o agente da passiva corresponde ao sujeito da voz ativa:

O processo foi paralisado pelo governo. – voz passiva

sujeito                        ag. da passiva



O governo paralisou o processo.  – voz ativa

sujeito                   OD



Embora o agente da passiva seja um termo integrante, ele pode ser muitas vezes omitido. 

O processo foi paralisado.



O agente da passiva pode ocorrer também na voz passiva sintética. Assim:

A enciclopédia compõe-se de 25 volumes.

                                          ag. da passiva



O agente da passiva pode ser representado por:

ü substantivo ou expressão substantivada.

Os bairros mais pobres foram muito afetados pelo furacão.



ü numeral.

O projeto foi elaborado pelos três.



ü pronome.

A melhor história foi contada por ela.



ü oração.

O caso foi denunciado por quem cuida da criança.

Neste caso, a oração é classificada como oração subordinada substantiva agente da passiva. Essa oração não é registrada pela NGB, mas existe.

São aqueles que não são indispensáveis para o entendimento do enunciado. No entanto, acrescentam uma informação nova a um nome ou a um verbo, determinando-lhes o significado. Compare as frase:

a. sem termo acessório: Índio fará curso.

b. com termo acessório: Índio acreano fará curso na Suíça.



A. Adjunto Adnominal

É o termo que especifica ou delimita o significado de um substantivo. Pode ser expresso por:

ü adjetivo: Catedral de Curitiba vai ter vigilância eletrônica.

ü locução adjetiva: Bolsas de estudo para cursos a distância.

                            Ele é especialista em economia do império.

ü artigo: A genética supera os preconceitos.

ü pronome adjetivo: A tristeza tem seus significados.

ü numeral: Um balão pode voar até sete mil metros de altura.

ü oração: As florestas acreanas, / que concentram uma das maiores quantidades de recursos biológicos do planeta, / estão sendo alvo da biopirataria internacional.

à Nesse caso, a oração será classificada como oração subordinada adjetiva (restritiva ou explicativa).



€ Diferença entre complemento nominal e adjunto adnominal (na forma de locução adjetiva).

1. Se a locução vier associada a adjetivo ou advérbio, ela será sempre complemento nominal, uma vez que o adjunto só modifica o substantivo.

Sua pesquisa é útil a todos.

                         adj.  CN

Poucos deputados manifestaram-se contrariamente à aprovação do projeto de lei de aposentadoria.                                                         

                                                               adv.                          CN



2. Se a locução vier associada a um substantivo, poderá exercer a função de complemento nominal ou adjunto adnominal.

ü Será adjunto adnominal se o substantivo a que se refere for concreto ou se essa locução puder ser transformada em adjetivo, uma vez que o complemento só se refere a substantivo abstrato:

Vaso de porcelana.

Livro de geografia.

Caneta do José.

Ondas do mar. ( = marítimas )

subst. concreto e adj. adn. e adj.



ü Se a locução referir-se a um substantivo abstrato (muito exigido em vestibulares), será:

 - adjunto adnominal – se indicar o agente (executor) da ação expressa pelo nome;

 - complemento nominal – se for o paciente (alvo) da ação.



Em suma, se a locução tiver valor de sujeito, será adjunto adnominal; se equivaler a objeto, será complemento nominal.

Amor de pai.                                        Amor ao pai.



 - No 1º caso, a expressão de pai funciona como adjunto adnominal, pois pai é agente de amar (o pai ama; pai = sujeito). Portanto o adjunto adnominal pode ser agente da ação expressa pelo nome.



 - Na 2ª situação, a expressão ao pai exerce a função sintática de complemento nominal, pois pai é paciente de amar (ama o pai; o pai = objeto direto).



Outro exemplo:

A invasão da Bélgica pelas tropas alemãs ocorreu em 1914.

A locução da Bélgica exerce a função sintática de complemento nominal, pois é paciente da ação de invadir. Já a expressão pelas tropas alemãs funciona como adjunto adnominal, uma vez que é agente da ação de invadir.



€ Diferença entre adjunto adnominal e predicativo do objeto.

Vi um filme excelente.                           Considero o filme excelente.

                   adj. adnominal                                           pred. do objeto



Passando essas duas frases para a voz passiva, notaremos que o adjunto adnominal continuará exercendo a mesma função ao passo que o predicativo do objeto passará a exercer a função de predicativo do sujeito:

Um filme excelente foi visto por mim.        O filme é considerado excelente por mim.

            adj. adnominal                                                       pred. do sujeito

Substituindo o termo em questão por um pronome oblíquo, o adjunto adnominal desaparece e o predicativo permanece:

O homem indecente foi julgado. = Ele foi julgado.
O juiz condenou o homem indecente. = O juiz condenou-o.
O juiz considerou o homem indecente. = O juiz considerou-o indecente.





B. Adjunto Adverbial

É o termo da oração que indica uma circunstância do fato expresso pelo verbo ou intensifica o sentido do verbo, do adjetivo e do advérbio.

O adjunto adverbial exerce, portanto, a função de modificador e de intensificador.

Vão viajar amanhã.   à       modificador

Viajam muito.          à       intensificador

Estão muito ansiosos.         à       intensificador

Redigem muito bem.  à       intensificador

O adjunto adverbial pode se referir a uma oração inteira, incidindo sobre ela: Felizmente, todos estão aprovados. / Infelizmente, todos foram reprovados.
Pode aparecer com qualquer tipo de verbo, inclusive o de ligação.



P Classificação dos adjuntos adverbiais

Eis alguns tipos de adjuntos adverbiais:

causa: As crianças gritavam de dor.

companhia: Só saía com os pais.

condição: A adoção de um adolescente só é feita com o seu consentimento.

dúvida: Talvez ela se digne a falar comigo.

finalidade: Haviam deixado um espaço para a colocação da mesa.

instrumento: Batia com a caneta sobre o livro.

intensidade: A mulher se diverte muito no trabalho.

lugar: Sou um lírio na correnteza.

meio: Passei a tentar levar o barco pelo leme.

modo: Volta pacientemente ao ponto de partida para recomeçar.

negação: O suposto mar não passaria de um deserto gelado.

tempo: A gente não devia crescer nunca.



O adjunto adverbial pode ser expresso por:

ü advérbio.

Entrar ilegalmente nos Estados Unidos pelo México é uma empreitada de alto risco.



ü locução adverbial.

Nos anos 30, muitos países europeus já tinham aprovado leis de “higiene racial”.



ü oração.

Quando o Dr. Renato ouvia falar em operação de risco, ele pensava em cirurgia.

à Nesse caso, a oração será classificada como oração subordinada adverbial.



ü pronome oblíquo (comigo, contigo, consigo, conosco, convosco).

Fique comigo.



O mesmo adjunto adverbial pode expressar mais de uma circunstância:

-Moramos longíssimo daqui.

            -lugar e intensidade

-Jamais voltarei a esta cidade.

-tempo e negação

-Saiu da sala devagarinho. - modo e intensidade



C. Aposto

É o termo da oração que se anexa a um substantivo ou a um pronome, explicando-o, enumerando-o, especificando-o, resumindo-o, distribuindo-o ou comparando-o.

Jorge, o cozinheiro, lembrou que peixe cru é muito nutritivo.

 - O aposto o cozinheiro está anexado ao substantivo Jorge.

Nós, os artistas, adoramos ser “estraçalhados”.

 - O aposto os artistas refere-se ao pronome Nós.



ü o aposto vem separado dos demais termos da oração por vírgula, dois-pontos, travessão ou parênteses:

A happy hour – o agradável bate-papo do fim de tarde – pode esconder um perigo: o abuso de álcool.



ü o aposto pode anteceder o nome a que se refere:

Pioneiros do estudo da radioatividade, Marie e Pierre Curie ganharam o prêmio Nobel de física de 1903.



ü o aposto pode ser representado por uma oração denominada oração subordinada substantiva apositiva:

Então aconteceu o inesperado: elegeu-se para prefeito. à a oração apositiva elegeu-se para prefeito explica o termo inesperado.



c1. Tipos de Aposto:

ü enumerador – é o aposto que desenvolve uma ideia anterior: Debaixo de um juazeiro grande, todo um bando de retirantes se arranchara: uma velha, dois homens, uma mulher nova, algumas crianças.



ü resumidor – resume termos anteriores. Geralmente expressa-se através de um pronome indefinido: Dinheiro, amor, férias, nada a seduzia.



ü especificador – individualiza um substantivo de sentido genérico. Normalmente é um nome próprio de pessoa ou lugar e não aparece entre vírgulas.

- O presidente Vargas cometeu suicídio.

- O escritor Euclides da Cunha relatou a Guerra de Canudos em seu livro Os sertões.

- A cidade de São Paulo é a campeã brasileira em poluição ambiental.

- Em 1969, o embaixador norte-americano Charles Elbric foi seqüestrado por militantes de esquerda.



· Diferença entre adjunto adnominal e aposto:

Não se deve confundir o aposto especificador com o adjunto adnominal. Compare:



A cidade de Recife continua linda à aposto especificador

(Recife = cidade).



O clima de Recife é bastante quente à adjunto adnominal

(tem função adjetiva).



Faço aniversário no mês de junho à aposto especificador

(mês = junho).



As festas de junho são muito populares na região do nordeste à adjunto adnominal

(tem função adjetiva - festas de junho = juninas).



D. Vocativo

É um termo independente da oração, pois não pertence nem ao sujeito nem ao predicado. É o termo utilizado para chamar, interpelar, invocar um ouvinte, real ou hipotético. Por seu tom exclamativo, geralmente se relaciona à segunda pessoa do discurso.
Vem do latim vocare = chamar.



Geralmente é separado por vírgula dos outros termos da oração e pode vir precedido de interjeições de apelo como: ó! (não confunda com a interjeição de espanto oh!), olá!, eh!, ei!

Bem-vindo, presidente!

Adeus, ano-velho.

Traga-me, vinho, o amor e a juventude.

Fulguras, ó Brasil, florão da América - Hino Nacional Brasileiro



O vocativo pode aparecer no início, no meio ou no final da oração:

 - Joana, leia o poema.

 - Leia, Joana, o poema.

 - Leia o poema, Joana.



O vocativo pode vir separado da oração quando ocorre mudança do interlocutor:

 - Roberto.

 - O quê ?

 - Venha almoçar.

O termo Roberto, que é o vocativo, vem separado da oração Venha almoçar, o que demonstra que se trata de um termo independente, não pertence à estrutura da oração.

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