Tuesday, December 14, 2021

Telefônica TV Digital e TVA com Telecine

 A Rede Telecine estreia na TVA e na Telefônica TV Digital na próxima segunda-feira. Há 18 anos no ar, os canais de cinema da Globosat estarão aberto pela primeira vez na operadora controlada pelos grupos Abril e Telefônica, inicialmente para os clientes da região metropolitana do Rio de Janeiro e no estado de São Paulo, compreendida pela capital, interior e litoral paulista. No primeiro mês, todos os assinantes dessas localidades terão acesso ao canal gratuitamente. Os canais já estavam disponíveis na SKY, NET, Via Embratel e Oi TV.


Após esse período, os canais Telecine Premium, Telecine Action, Telecine Light, Telecine Pipoca e Telecine Cult estarão acessível apenas para os clientes dos pacotes de filmes Premium já comercializados. Os demais poderão adquirir pagando uma taxa extra de R$ 38 mensais. Por enquanto, o Telecine HD, com 100% de conteúdo transmitido em alta definição, está fora da grade das operadoras.

A parceria entre TVA, Telefônica TV Digital e Rede Telecine começa com uma série de atrações inéditas na TV brasileira. Os assinantes das operadoras poderão conferir a estreia da animação Kung Fu Panda, que foi indicada ao Oscar e ao Globo de Ouro, além da aventura A Múmia: Tumba do Imperador Dragão, protagonizada por Brendan Fraser. A programação contempla ainda outros títulos exclusivos da rede e que terão suas primeiras exibições nos canais Telecine, como a comédia Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada, com Steve Carell e Juliette Binoche, e a paródia Super-herói – o Filme, que brinca com personagens famosos, entre outros.


Outros destaques da Rede Telecine no mês são Ensaio Sobre a Cegueira, do diretor brasileiro Fernando Meirelles, baseado no romance do escritor português José Saramago; o suspense Sob Controle; o drama Um Amor Para Toda Vida, com Shirley MacLaine; O Roqueiro; As Ruínas e Quebrando Regras. Referência recente do cinema nacional, A Casa da Mãe Joana (co-produção do Telecine Productions) vai ao ar também em agosto. A programação completa pode ser conferida no www.telecine.com.br.

Monday, November 8, 2021

Lista de canais - Net: 2012

 Canais digitais Net

Esportes - SporTV2, SporTV, ESPN, ESPN Brasil, Band Sports, OFF, Esporte Interativo, WooHoo

Notícias - Canal Rural, Globo News, CNN International, BBC World News, Fox News, Record News, Bloomberg, Band News

Documentários - National Geographic, Discovery Channel, Discovery Home & Health, Animal Planet, The History Channel, Discovery Science, Discovery Civilization, Nat Geo Wild, Mais Globosat

Carros - Discovery Turbo

Viagem - Travel & Living Channel

Filmes - TNT, Megapix, Telecine Premium, Telecine Action, Telecine Touch, Telecine Fun, Telecine Pipoca, Telecine Cult, MGM, HBO, HBO Plus, HBO2, HBO Family, Max HD - versão SD, Max Prime, HBO Plus *e, HBO Signature, Max, Max Prime *e, Curta!

Música - MTV, VH1 Mega Hits, VH1

Filmes e seriados - AXN, Universal Channel, Warner Channel, Sony, Fox, FX, Canal Brasil, A&E, TCM, Syfy, Fox Life, Studio Universal

Infantis - TV Rá Tim Bum, Nickelodeon, Discovery Kids, Cartoon Network, Disney XD, Boomerang, Disney Channel

Variedades - GNT, Multishow, Investigação Discovery, Sony Spin, Glitz, Arte 1, Canal Viva, E! Entertainment

Internacionais - RAI, TV5 Monde, TVE, Deutsche Welle, NHK, TV Korea

Abertos - TV Câmara, TV Brasil, NBR, TV Justiça, TV Senado, CNT, Mix TV, Shop Tour, Cultura, SBT, Globo, Record, RedeTV!, Band, Rede 21, Rede Vida, Sesc TV

Vendas - Shoptime

Educativos - Futura

PPV - Premiere Interativo, Combate, Premiere FC (1 a 7)

Adultos - Playboy TV, Sextreme, Sexy Hot, ForMan, Private, Venus

Interativos - Portal Net Interativa, Net Games, Cartoon Games, Canal de Vendas Net, Climatempo

Canais de relacionamento - Canal de Ajuda, PPV em Cartaz

Canais HD - Globosat HD, Globo HD, RedeTV! HD, Band HD, SBT HD, VH1 HD, OFF HD, Nat Geo Wild HD, AXN HD, Multishow HD, Warner HD, TNT HD, Sony HD, Fox + NatGeo HD, Discovery HD Theater, TLC HD, Space HD, Megapix HD, Telecine Fun HD, ESPN HD, Telecine Premium HD, Telecine Action HD, Telecine Touch HD, Telecine Pipoca Alta Definição, HBO, HBO HD, Max HD, History Channel HD, Premiere HD

Canais de áudio - Portal Net Música

Canais analógicos Net

Esportes - SporTV2, SporTV, ESPN, ESPN Brasil

Notícias - Canal Rural, Globo News, CNN International, Bloomberg, Fox News, CNN en Español

Documentários - National Geographic, Discovery Channel, Discovery Home & Health, Animal Planet, The History Channel  

Filmes - TNT, Megapix, Telecine Premium, Telecine Action, Telecine Touch, Telecine Fun, Telecine Pipoca, Telecine Cult, HBO, HBO Plus, HBO2, Max HD - versão SD, Max Prime

Música - MTV 

Filmes e seriados - AXN, Universal Channel, Warner Channel, Sony, Fox, FX, Canal Brasil, A&E

Infantis - Nickelodeon, Discovery Kids, Cartoon Network, Disney XD, Boomerang, Disney Channel

Variedades - GNT, Multishow, Investigação Discovery

Internacionais - RAI, SIC, NHK

Abertos - TV Câmara, TV Brasil, NBR, TV Justiça, TV Senado, CNT, Cultura, SBT, Globo, Record, RedeTV!, Band, Rede 21, Rede Vida

Vendas - Shoptime

Educativos - Futura

PPV - Premiere FC, Combate

Adultos - Playboy TV, Sexy Hot, ForMan

Canais de relacionamento - Net TV

Thursday, September 23, 2021

Erros grosseiros de português

 1. As casas só podem ser "geminadas", pois a palavra é derivada de gêmeos, não de germinação. "Germinadas" nem pensar!


2. Ser "de menor" ou "de maior" são expressões comumente ouvidas em rodas de gente estudada, mas estão erradas. "O garoto preso é menor" ou "O rapaz parece uma criança, mas é maior". Mais exemplos:"O delinquente é menor de idade" ou "O preso é maior de idade".


3. "O aluno repetiu o ano.""A aluna passou o ano.". Só os italianos que ainda falam mal o português dizem "repetir ou passar de ano".


4. "O aluno fica para recuperação", ele nunca "fica de recuperação".


5. Meu aniversário caiu num domingo. Está errado falar "caiu de domingo".


6. O filho saiu ao pai, esculpido e encarnado. "Cuspido e escarrado" é impossível. Isso surgiu porque o povo, como não entendia de escultura nem de encarnação, deturpou a expressão.


7. "Saíram elas por elas" é a concordância correta. "Saiu elas por elas" fere os princípios gramaticais.


8. Atenção políticos e advogados da velha guarda. Tive a "subida honra" de saudar o presidente, nunca "a súbita honra"."Subida" significa elevada; "súbita", inesperada.


9. Aos sábados, não trabalho. Está corretíssimo. Errado é falar ou escrever: De sábado, não trabalho.


10. O sujeito escapou ileso de um acidente de trânsito e comete um desatino, falando: "Faltei pouco para não morrer". O sujeito da oração é "pouco", e não "eu", portanto a forma correta é "Faltou pouco para não morrer".


11. Mandado de segurança. Os magistrados expedem mandados. Os políticos têm mandato.


12. Estou aguardando notícias. Nada de dizer "estou no aguardo de notícias". Tal expressão não existe.


13. "Apêndice supurado" ou "Apêndice estuporado" ? Supurado quer dizer convertido em "pus". Estuporado quer dizer paralisado, em estado de estupor.


14. Seu caderno é "espiral" ou "aspiral"? Lógico, espiral, pois o arame do caderno tem a forma da rosca de um parafuso. Quem diz "aspiral", está dando vexame.


15.Estou quite com o Serviço Militar. Ou é "quites"? Se for uma pessoa só, ela está "quite". Quites só se for mais de uma pessoa. porque "Os jovens estão quites com Serviço Militar". 

Sunday, September 19, 2021

Revisão - uso do infinitivo

USO DO INFINITIVO


1. TIPOS DE INFINITIVO·

IMPESSOAL - sem sujeito determinado; não é flexionado.

É preciso sempre lutar. Viver é sofrer.


· PESSOAL - com sujeito determinado.

- Não flexionado - cantar.

Faremos tudo para vencer.


- Flexionado - cantar (eu), cantares (tu), cantar (ele), cantarmos (nós), cantardes (vós), cantarem (eles).

Venha para ficarmos juntos.


2. PRINCIPAIS CASOS

(a) Nas locuções verbais ð infinitivo IMPESSOAL (= sem flexão). O verbo auxiliar concorda com o sujeito, mesmo que haja um termo intercalado entre o verbo auxiliar e o verbo principal.

VAMOS VIAJAR amanhã.

Vocês PRECISAM, sempre que possível, ESTUDAR mais.

A entrada será às 8h, DEVEM todos os candidatos DIRIGIR-SE às suas respectivas salas.


(b) Com sujeito exclusivo (sujeito do infinitivo diferente do sujeito da oração anterior) -- flexionado.

Eu trouxe um livro para (tu) LERES.

Ele foi ao nosso evento para (nós) FICARMOS com confiança.

O professor liberou seus alunos para (eles) IREM ao jogo.


(c) Na primeira oração ð preferivelmente flexionado, mas não há erro no uso da forma não flexionada.

Antes de SAIRMOS, desligaremos as máquinas.

Para VENCEREM, vocês devem lutar.


(d) Preposição + infinitivo

· O sujeito é o mesmo do verbo anterior ð preferivelmente não flexionado, mas não há erro no uso da forma flexionada.

(Nós) Voltamos PARA (nós) FICAR.

Nós estamos aqui para RESOLVER os seus problemas.

Não façam (vocês) nada SEM (vocês) CONSULTAR a chefia.

É melhor que (nós) fiquemos PARA (nós) ACOMPANHAR a apuração.


Observação: na voz passiva e com os verbos de ligação, o infinitivo pode vir flexionado.

O TSE liberou todas as parcelas para SER ou SEREM DIVIDIDAS pelos partidos.

O porta-voz francês informou as medidas concretas a SER ou SEREM TOMADAS contra o terror.

As duas tiveram que suar muito para SER ou SEREM as campeãs.

Elas têm que malhar bastante para FICAR ou FICAREM magrinhas.

· O sujeito do infinitivo está claramente expresso -- obrigatoriamente flexionado.

Não havia motivo PARA os empregados VOLTAREM ao trabalho.

Decidiu sozinho PARA os pais FICAREM sem sentimento de culpa.

· Se o infinitivo é complemento de um termo anterior ð não flexionado.

Ele sempre proíbe os empregados de SAIR no horário.

Não estamos dispostos a DESISTIR tão facilmente.

Eles não têm a obrigação de FICAR em casa.

(e) Depois de verbos que expressam relação de causa (DEIXAR, MANDAR e FAZER) ou a existência de um dos sentidos (VER, OUVIR e SENTIR).

· Com sujeito plural anteposto ð preferivelmente flexionado, mas não há erro no uso da forma não flexionada.

Mandou todos os alunos SAÍREM.

Deixei os doces ESTRAGAREM.

· Com sujeito plural posposto -- preferivelmente não flexionado, mas não há erro no uso da forma flexionada.

Mandou SAIR todos os alunos.

Deixei ESTRAGAR os doces.

· Com sujeito pronome oblíquo ð não flexionado.

Mandou-os SAIR.

Deixei-os ESTRAGAR.

Não nos deixeis CAIR em tentação.

Sunday, July 4, 2021

Sky - 2016: TruTV e Boomerang > Esporte Interativo e EI Maxx

 Sky - Informações do Programa

ID - 04:00-05:00 Hoje

Sem Saída - 14

Steve Rambam é investigador particular especializado em casos espinhosos e famoso por não dar trégua a criminosos que escaparam às investigações policias. Durante as últimas três décadas, ele se dedica a solucionar crimes que parecem sem saída, aqueles que já esfriaram, foram engavetados e passam longe do interesse policial. Cada episódio acompanha a solução de um ou dois casos reais, todos eles  esclarecidos com o trabalho de Rambam. Quer este canal em HD? Mude para Sky HDTV: 10611.

Pressione CONFIRMA para reservar este programa ou RETORNA para retornar

Guia de Programação

Gênero

Programas Reservados

Canais de Áudio

Duração da Tarja

Autocensura

Idioma das Telas

Extrato da Conta

Extrato PPV C. Remoto

Senha PPV C. Remoto

Criar Senha

Conteúdo dos Filmes

Fale Conosco

Legendas e Áudio

93 Fox Life

94 Boomerang

96 Disney XD

97 Disney

98 Gloob

99 Discovery Kids

100 Nickelodeon

Escolher Satélite

Diagnóstico

Setup avançado

Pressione + para sinopse ou INFO para ajuda

25ª Hora - Record

 25ª Hora é um extinto programa de televisão brasileira, exibido pela Rede Record nos anos 90. Era apresentado pelo Ronaldo Didini. Foi o embrião para o atual Fala Que Eu te Escuto.


O programa era produzido pela produção independente da Igreja Universal do Reino de Deus.


Era exibido às 1 hora da madrugada, eventualmente à meia-noite ou 23:30 (daí o nome do programa). Tinha duração de 1 hora, entrava no ar todos os sábados e domingos. Fez tanto sucesso que em 1993 tornou-se diário, após a faixa de shows e antes da Sessão Transnoite, que exibia filmes clássicos.


Com a saída de Ronaldo Didini, o programa teve vários apresentadores e foi extinto em novembro de 1997, sendo reprisado de dezembro de 1997 a fevereiro de 1998.

Fala que Eu Te Escuto é um programa de televisão brasileiro exibido pela Rede Record. O programa é apresentado ao vivo, no início da madrugada, após a faixa de shows. Diariamente, temas da atualidade são debatidos por pastores e bispos da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Ocorrem também a participação de telespectadores, por telefone, e a inserção de imagens gravadas por atores ou exibidas na programação da Record. A produção é da Arca Universal, empresa ligada à IURD.


O programa disputa o primeiro lugar de audiência com o Programa do Jô, que é exibido na mesma faixa de horário.


História

O Fala que Eu Te Escuto surgiu em meados da década de 1990, e inicialmente apresentava apenas temas religiosos. Aos poucos, foi dando ênfase ao noticiário e apresentando temas polêmicos como violência, prostituição, drogas, celebridades entre outros. Muitas afiliadas da Rede Record fazem versões regionais do programa. Na TV Record Rio de Janeiro, é apresentado pelo bispo Darlan Ávila, e na TV Record São Paulo é apresentado pelo o bispo Clodomir Santos.


Em junho de 2008, o programa passou a ser apresentado às terças e quintas diretamente do Rio de Janeiro, em rede nacional.

Tuesday, April 13, 2021

Coronavírus: veja os serviços alterados no RJ para enfrentar a doença

 Devido à pandemia de coronavírus, escolas e universidades, órgãos públicos, serviços e eventos foram suspensos para conter a proliferação da doença. Veja abaixo as principais mudanças:


Comércio

A partir de 0h do dia 24, o município do Rio obriga o fechamento do comércio. Só podem funcionar:


mercados, supermercados, hipermercados e hortifrúti;

padarias e confeitarias;

açougues e peixarias;

farmácias e drogarias;

armazéns, distribuidoras e transportadoras de alimentos e de produtos de interesse sanitário;

postos de combustível exclusivamente para o abastecimento e pequenos serviços e lojas de conveniência exclusivamente para venda de produtos;

comércio de produtos e equipamentos médico hospitalares e odontológicos, incluindo-se locação e lojas de material de construção, hospitais, laboratórios, clínicas médicas e centros de especialidades;

comércio de medicamentos veterinários, alimentos e produtos de uso animal;

bancas de jornal e revista, lojas de perfumes e cosméticos, lojas de tecidos e aviamentos, livrarias e papelarias;

hospedagens;

lavanderias.

Saúde

Cirurgias - Foram suspensas as cirurgias eletivas (exceto procedimentos oncológicos, cardiológicos e transplantes). Hospitais só realizarão cirurgias de urgência e emergência.


Visitas - Enfermarias só poderão receber uma pessoa por paciente em dias alternados com horário ampliado. Visitação de pacientes com diagnóstico de coronavírus continua suspensa.


Férias - As férias dos servidores da pasta foram suspensas pelo governo do Estado.


Atendimento ambulatorial - suspenso o atendimento a pacientes estáveis em unidades privadas e públicas. Unidades só realizarão atendimentos de urgência e emergência. O atendimento ambulatorial está mantido nos casos de:


cardiologia

oncologia

pré-natal

psiquiatria

psicologia

imunização

pacientes com caso de deterioração clínica

Vacinação contra gripe comum: campanha começou no dia 23 de março. Haverá vacinação drive-thru (dentro do carro) e até em casa. Veja mais detalhes!


Transporte público

Viagem para o Rio - Somente trabalhadores de serviços essenciais podem entrar no município do Rio. Deve ser apresentada carteira de trabalho ou crachá para embarcar. Serviços permitidos:


Servidores públicos (inclusive aqueles relacionados às Forças Armadas, bombeiro militar e agentes de segurança pública);

Profissionais da saúde (inclusive individuais que prestem serviços de atendimento domiciliar, menos os serviços de natureza estética);

Pacientes em tratamento de saúde, com um acompanhante, desde que estejam com atestado médico, agendamento ou outro documento que comprovem a condição médica;

Funcionários de bares, restaurantes e lanchonetes;

Empregados de farmácias e drogarias;

Trabalhadores de pet-shops e veterinárias;

Revendedores de água e gás;

Profissionais do setor de serviços, como transporte e logística, limpeza e manutenção;

Porteiros e vigilantes;

Garis;

Profissionais da imprensa, telecomunicações, internet e meios de comunicação;

Agentes funerários;

Frentistas;

Funcionários das indústrias de alimentos, farmacêutica, higiene e limpeza.

Trens - Estão fechadas nove estações:


Ramal Japeri: Paracambi, Lagos, Presidente Juscelino e Olinda;

Ramal Belford Roxo: Coelho da Rocha, Agostinho Porto e Vila Rosali;

Ramal Saracuruna: Campos Elíseos e Jardim Primavera.

BRT - apenas passageiros sentados podem circular


Ônibus - circulam em menor número e não podem andar lotados. Guarda Municipal poderá multar companhias que tiverem passageiros em pé.


Riocard: Benefício para idosos foi reduzido a 4 viagens gratuitas por dia.


Barcas: Duas linhas foram desativadas.


Praça-15-Charitas

Praça 15-Cocotá

Metrô - transporte funciona normalmente, mas alguns acessos de entrada e saída foram fechados:


LINHA 1 (acessos fechados)


General Osório - acesso Complexo Rubem Braga

Siqueira Campos - acesso Figueiredo Magalhães

Botafogo - acessos Muniz Barreto / São Clemente (praia) / Nelson Mandela / Mena Barreto

Flamengo - acesso Praia de Botafogo

Catete - acesso Rua Silveira Martins

Glória - acesso Outeiro da Glória

Cinelândia - acessos Rio Branco / Pedro Lessa / Presidente Wilson / Santa Luzia

Carioca - acessos Av. Chile - Petrobrás (fecha às 15h) / Convento de Santo Antônio

Uruguaiana - acessos R. Uruguaiana (fecha às 20h) / Senhor dos Passos / Alfândega

Central - acessos Terminal Rodoviário (fecha às 20h) / Min. do Exército (fecha às 14h) / Praça da República (fecha às 14h)

Praça Onze - acesso Marquês de Sapucaí

Estácio - acesso Paulo de Frontin

Saens Peña - acessos Carlos de Vasconcelos / Heitor Beltrão / Major Ávila

Uruguai - acessos R. José Higino / R. Conde de Bonfim

LINHA 2 (acessos fechados)


São Cristóvão - acesso Praça da Bandeira

Maracanã - acesso Supervia

LINHA 4 (acessos fechados)


São Conrado - acesso Estrada da Gávea

Jardim de Alah - acesso R. Almirante Pereira Guima

Rodoviária - O governador tentou impedir o transporte interestadual de passageiros, mas não obteve aval da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Ainda assim, o número de viagens oferecidas caiu bruscamente.


Aeroportos - Os brasileiros que estão no exterior e desejam voltar ao país devem acessar o site da Anac e preencher um formulário. Está restrita a entrada de passageiros estrangeiros no Brasil de 23 países. São eles:


China;

Países membros da União Europeia;

Suíça;

Noruega;

Reino Unido;

Irlanda do Norte;

Austrália;

Japão;

Malásia;

Coréia do Sul.

Educação

Escolas públicas - Aulas suspensas na rede pública e particular no estado e em vários municípios. Escolas estaduais fecham 15 dias, antecipando as férias; na capital, por uma semana a princípio. Atividades coletivas e extracurriculares também foram suspensas. 


Universidades - Aulas suspensas. Universidade Federal Fluminense (UFF) decidiu adiar por 1 semana; Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) por tempo indeterminado. Uerj e Unirio até o fim do mês. Funcionários da área administrativa seguem trabalhando em home office, de forma remota.


IFRJ e Cecierj - Aulas suspensas, assim como no Cecierj que anunciou recesso de 15 dias. Volta às aulas será anunciada no site.


Almoço dos alunos - Prefeitura do Rio havia permitido almoço de alunos mesmo com a suspensão, mas a Justiça vetou. Serão distribuídas cestas básicas.


Lazer

Um decreto do governador proíbe frequentar, por 15 dias:


praias

lagoas

rios

piscinas públicas

shoppings (permitido somente delivery, farmácias, supermercados, consultórios médicos, laboratórios, lotéricas, bancos, cartórios, escritórios de contabilidade e advocacia e 30% da praça de alimentação)

Bancos/Idosos

No sábado (28), a prefeitura do Rio publicou um decreto que muda as regras para o uso de agências bancárias privadas em toda a cidade.


Idosos, com 60 anos ou mais, obesos, gestantes, mulheres com crianças de colo, pessoas com deficiência, deficientes visuais, deficientes auditivos, autistas e pessoas que compram pela internet, não vão poder ser atendidos na boca do caixa em agências privadas. Nestes bancos, eles só poderão usar o caixa eletrônico, telefone, aplicativo ou internet.


Em bancos oficiais, como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú, Bradesco ou Santander, clientes de todas as idades só podem ir na boca do caixa para os seguintes serviços:


recebimento de benefícios, como Bolsa Família e Auxílio Emergencial;

pagamento de serviços essenciais, como FGTS, INSS, PIS, abono salarial, seguro-desemprego, imposto de renda.

Os clientes terão que mostrar a carteira de identidade para provar a idade.

Cemitérios

Velório - Para evitar aglomeração, algumas unidades oferecem velório on-line. O contratante do velório vai receber uma senha e poderá distribuí-la para que amigos e parentes acompanhem a cerimônia à distância, através do site do cemitério. Com isso as famílias poderão ser confortadas, sem contato físico e com risco reduzido de contágio.


Rioprevidência

Prova de vida - Suspensa para aposentados e pensionistas.


Detran-RJ

Licenciamento 2020: suspenso o serviço para todas as placas.


Vencimentos: prorrogados por 30 dias.


Autoescolas e clínicas: fechados


O atendimento para retirada de identificação civil, habilitação e documentação de veículos vai ser reduzido à metade.


Futebol

Campeonato Carioca foi suspenso.


Feiras, cinemas, teatros e museus

Espaços culturais da Prefeitura do Rio foram fechados. Os espaços privados são obrigados a funcionar com capacidade reduzida.


Feiras livres: A partir de terça (24), as feiras livres vão funcionar alternadamente (semana sim, semana não).


De 24 a 30 de março


Andaraí

Bangu

Bento Ribeiro

Braz de Pina

Cachambi

Caju

Campinho

Campo dos Afonsos

Cascadura

Catumbi

Cavalcanti

Cidade Nova

Coelho Neto

Copacabana

Costa Barros

Encantado

Engenheiro Leal

Engenho de Dentro

Engenho Novo

Estácio

Grajaú

Honório Gurgel

Jardim América

Leme

Lins

Madureira

Magalhães Bastos

Maracanã

Marechal Hermes

Méier

Oswaldo Cruz

Padre Miguel

Penha

Piedade

Pilares

Quintino

Realengo

Riachuelo

Rocha

Rocha Miranda

Rocinha

Santa Cruz

Santa Teresa

São Cristóvão

Saúde

Senador Camará

Sepetiba

Vaz Lobo

Vigário Geral

Vila Isabel

De 31 de março a 6 de abril


Barra da Tijuca

Bonsucesso

Botafogo

Catete

Campo Grande

Centro

Cidade de Deus

Del Castilho

Engenho da Rainha

Flamengo

Gardênia Azul

Gávea

Glória

Guadalupe

Humaitá

Ilha do Governador

Inhaúma

Ipanema

Irajá

Jacarepaguá

Jardim Botânico

Lagoa

Laranjeiras

Leblon

Leme

Maré

Maria da Graça

Olaria

Praça da Bandeira

Praça Seca

Ramos

Recreio

Ricardo de Albuquerque

São Conrado

Tanque

Taquara

Tijuca

Urca

Vicente de Carvalho

Vila Kosmos

Vila Valqueire

Vista Alegre

Empresas e famílias

Home office (trabalho remoto) - Governo do Estado e Prefeitura recomendam que, nos casos possíveis, empresas adotem o trabalho remoto.


Empregadas e diaristas - A recomendação da Prefeitura é para que as pessoas fiquem em casa. Na internet, há um movimento para a "quarentena remunerada". Ou seja, para que essas trabalhadoras continuem recebendo mesmo sem trabalhar.


Presídio

Visitas - As visitas estão suspensas. Presos só podem encontrar advogados que tenham menos de 60 anos e não tenham histórico de doenças respiratórias.


Religião

Várias denominações religiosas adotaram modalidades de celebração on-line. Desde o dia 20 de março, as igrejas católicas fecharam as portas. A Arquidiocese do Rio suspendeu todas as missas com a presença dos fiéis. No início da semana, o arcebispo Dom Orani Tempesta já havia dispensado os fiéis da obrigação de ir à missa aos domingos. As missas continuam sendo celebradas, mas apenas com a presença do padre e de uma equipe de liturgia reduzida, com transmissão para os fiéis pela TV e pelas redes sociais da paróquia. Pela primeira vez, todas as festividades da Semana Santa serão realizadas sem a presença do público. Elas serão transmitidas nas redes sociais. As igrejas continuam abertas nos horários de costume para oração pessoal. Celebrações e encontros religiosos foram suspensos, e as visitas pastorais agendadas para este ano foram suspensas. Outros eventos foram adiados para o segundo semestre ou suspensos, como catequese, escola da fé, encontro de casais com Cristo, encontro de jovens com Cristo, concentrações, acampamentos, festas, vias-sacras públicas, procissões e festas de padroeiro.

A Associação das Igrejas Evangélicas informou que cada denominação tem as próprias orientações, mas que a maioria está reduzindo ou cancelando os cultos. Eles incentivam que os fiéis assistam as transmissões pelas redes sociais.


Círculos de oração, alguns cultos e um congresso planejado para o fim de março da Igreja Evangélica Assembleia de Deus foram cancelados. Os cultos de domingo e terça-feira foram mantidos, segundo nota divulgada pela igreja.

A Federação Espírita Brasileira recomendou evitar aglomerações. A orientação é para reuniões e palestras serem feitas pela internet.


A Instituição Abassà Lumy Jacaré inseriu o álcool em gel e toalhas descartáveis na rotina dos terreiros.



Pontos turísticos

O Bondinho Pão de Açúcar anunciou, no dia 16 de março, que as atividades do parque estão suspensas pelo período de 15 dias. O prazo pode ser reavaliado. Corcovado também não está funcionando.


Os visitantes que já compraram ingressos para o período podem reagendar a visita a partir da data de reabertura. Para isso, é necessário fazer uma solicitação ao Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC), sem custos adicionais, para até 180 dias após a data do bilhete.


Restaurantes e bares

Na cidade, restaurantes e bares só podem abrir para entregas em domicílio (delivery). Decreto do governador determina que, nos outros locais, só pode funcionar com 30% da capacidade.


Polícia

Militar - A PM está adotando uma escala de serviço diferenciada. Férias estão suspensas. Os atendimentos no Tribunal de Justiça, Defensoria Pública, Câmara Municipal e Assembleia Legislativa, por exemplo, passam a funcionar de maneira restrita a partir do dia 16 de março.


Civil - O acesso será restrito nas unidades para evitar filas e aglomeração no atendimento. Só serão atendidos os casos urgentes ou que envolvam rápida intervenção da polícia. Ocorrências simples, que não tiveram uso de violência, devem ser registrados através da Delegacia Online, no site da Polícia Civil.


Tribunal de Justiça

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro anunciou modificações nos eventos para diminuir a circulação de pessoas nos prédios a partir de 16 de março.


Entre as medidas anunciadas, estão:


As audiências de primeiro e segundo grau serão suspensas por 60 dias;

Os prazos dos processos físicos serão suspensos por 14 dias, podendo ser prorrogados, caso necessário;

Já os prazos dos processos eletrônicos correm normalmente.

Justiça Federal

O órgão informou medidas para atender magistrados e servidores. Afastamento por 14 dias de magistrados, terceirizados e servidores que retornarem de viagem a áreas com circulação sustentada do Covid-19; a possibilidade de trabalho remoto para aqueles com mais de 60 anos, portadores de doenças crônicas e gestantes; a suspensão de atendimentos presenciais a partes e advogados, quando puderem ser feitos pela internet ou por telefone.


Alerj

Votações ocorrem apenas às quartas, on-line. Foram suspensos


Acesso restrito a deputados, funcionários e imprensa;

Visitas guiadas e audiências públicas serão suspensas;

Comissões especiais terão audiências por videoconferências.

Câmara Municipal

Votação ocorre apenas um dia na semana, on-line.


OAB-RJ

Em ato publicado no dia 12 de março, o presidente da OAB-RJ, Luciano Bandeira, suspendeu temporariamente as cerimônias de entrega de carteira aos novos inscritos.


Os novos inscritos já podem retirar os documentos de identificação profissional. Para isso, é preciso procurar o Departamento de Seleção e Inscrição e formalizar o termo de compromisso por escrito.


Academia Brasileira de Letras

A Academia Brasileira de Letras suspendeu, no dia 12 de março, suas atividades abertas à sociedade por causa da pandemia do novo coronavírus. Acervo bibliográfico e arquivístico, busca no VOLP e dúvidas de ortografia e gramática seguem no site da ABL.


Segundo a academia, os atendimentos nas bibliotecas Rodolfo Garcia e Lúcio de Mendonça e no arquivo Múcio Leão foram encerrados temporariamente.


Consumidor

Procon - suspenso o atendimento presencial ao consumidor por 30 dias. Atendimento continua no aplicativo Procon/RJ e no Procon Online.


Cartório

Funcionam normalmente, em seus horários habituais. Serviços urgentes, como registro de nascimento, casamento e óbito, devem ser feitos presencialmente. Outros serviços devem ser feitos online. 

Buscas de testamentos e de escrituras públicas de divórcios, separações, inventários e partilhas também podem ser realizadas na Central de Testamento pela internet.

Também será possível fazer o registro de imóveis, além de pedidos de certidões imobiliárias, além de outras funcionalidades exclusivas, como a visualização da matrícula (registro original do imóvel).

Os serviços dos Cartórios de Protesto estão disponíveis no site, no qual é possível consultar, gratuitamente, CPFs e CNPJs, pedir certidões e encaminhar dívidas a protesto.

Sunday, March 21, 2021

Eduardo Sabbag - Improvido, imexível...

 A indagação acima remete à análise do prefixo negativo, constante dos termos "improvido" e "imexível".


 


Trata-se do prefixo latino in-, de valor negativo, que tem servido para criar muitas celeumas, sobretudo no ambiente forense. É que, no processo de composição das palavras, ele não pode se unir a qualquer elemento. Aceita-se a união tão somente com substantivos, adjetivos e advérbios. Note os exemplos:


 


In + felicidade (substantivo) = infelicidade;


In + feliz (adjetivo) = infeliz;


In + felizmente (advérbio) = infelizmente.


 


De modo curioso, nota-se que o prefixo mencionado pode se transformar em im-, como se observa nas formações apresentadas no título do artigo:


 


In + provido (adjetivo) = improvido


In + mexível (adjetivo) = imexível


 


Ou, ainda, com outras palavras:


 


In + merecido (adjetivo) = imerecido


In + pagável (adjetivo) = impagável


 


A propósito, enquanto se aceitam, no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) - o veículo que oficialmente determina o que existe e o que não existe em nosso idioma - os termos imerecido e impagável, não se toleram as esdrúxulas formações "imerecer" e "impagar". Qual o motivo?


 


O prefixo in- não serve para criar verbos! Em tempo, não se encontram dicionarizados, por exemplo, verbos como "inaplicar", "induvidar" e "inexigir" (mas se admitem, respectivamente, inaplicável, induvidoso e inexigido). Aliás, da mesma forma, devem ser rechaçadas as mirabolantes formações "inacolho o pedido", "inaplico o dispositivo" ou, ainda, "verbas impagas" ("inacolher", "inaplicar" e "impagar" não existem!)


 


Em caráter excepcional, admitem-se alguns verbos com a referida formação condenável "in + verbo". Tais "exceções" encontram guarida no VOLP. São bons exemplos: incapacitar, inutilizar, inadmitir, inalienar, inadimplir, imortalizar, impossibilitar, impermeabilizar, entre outros. Trata-se de verbos aceitos.


 


Na análise de palavras que se iniciam pelo prefixo in-, um vocábulo que avoca reflexão é "inobstante". Trata-se de termo de largo uso nos textos jurídicos, na acepção de "apesar de, embora, conquanto, ainda que". O detalhe é que a palavra não está dicionarizada! Desse modo, em seu lugar, recomendamos que se utilizem as formas vernáculas não obstante ou nada obstante.


Uma pergunta, entretanto, faz-se necessária: o vocábulo, à luz do processo de formação de palavras, é aceitável? A resposta é afirmativa, pois temos em "inobstante" a fusão do prefixo (in-) com um adjetivo (obstante), dando ensejo a uma regular formação de palavras. Em termos simples, pode-se assegurar que "inobstante" é um bom e honesto neologismo! Todavia, como o termo não é aceito pelo VOLP, ficamos obrigados a substituí-lo pelas expressões sucedâneas, apresentadas em epígrafe, a saber: não obstante ou nada obstante.


 


E quanto ao termo "imexível"?


 


O ex-ministro do Trabalho do governo Collor, Antonio Rogério Magri, ganhou fama com o termo "imexível". Afirmou, no início da década de 90, que "o direito de greve é `imexível´." (Diário do Passado, 04.03.1991).


 


Frise-se que o termo é o resultado da fusão do prefixo negativo (in-) com o adjetivo (mexível), obedecendo aos cânones morfológicos da Língua Portuguesa.


 


Com efeito, a palavra "imexível", criada pelo ex-ministro, é de formação regular, seguindo o mesmo processo de concepção de palavras vernáculas como "intocável", "indiscutível", "insubstituível", "infalível", "ilegível" - sem a necessidade de nos alongarmos nos exemplos.


 


Os teóricos denominam o fenômeno de "neologismo léxico", que ocorre com a formação de um termo original, concebido a partir das estruturas preestabelecidas da Língua Portuguesa. Um termo que nasce da virtualidade ou potencialidade do idioma.


 


O ex-sindicalista semeou uma palavra, mas colheu constrangimento. Talvez porque não fosse um João Guimarães Rosa, de cuja respeitável pena exsurgiram centenas de neologismos, que não causavam maiores celeumas... O povo não perdoou a falta de "autoridade linguística" do ex-sindicalista! Precipitação demasiada, a nosso ver. Sua sacada neológica virou chacota nacional, sem o merecer. Seu pecado foi ter se valido, à época, de termo não constante do dicionário...


 


Hoje, a história provou que o político, além de criativo, tinha toda a razão. A palavra, de esporádica passou a ser "institucionalizada" - e foi dicionarizada! -, integrando o rol de termos do dicionário Houaiss, desde 2001. O VOLP também a chancelou. Como já dizia Machado de Assis, o termo "ganhou cidadania".


 


Curiosamente, a perseguição à palavra parecia não ter fim. Em publicação datada de 17 de setembro de 2003, na Revista Isto É, leu-se o seguinte fragmento: "No horizonte da reforma ministerial, recorrendo ao neologismo do ex-ministro Rogério Magri, Lula frisou que só quatro ministros são "e;imexíveis"e; ".  Pergunta-se: a palavra veio separada por aspas (no caso, aspetas) por qual motivo, se já estava dicionarizada há um bom tempo!? O que significam ou querem significar tais aspas?


 


Ora, devemos ficar atentos ao constante e natural "movimento lexical" que abre alas a palavras aqui, fechando portas para outras acolá, que resvalam para o desuso. Tenho dito que a função de um dicionário é mais refletir a linguagem do falante, e menos servir como atestado de validade vocabular.


 


Evanildo Bechara, aliás, cita Fernão de Oliveira - o primeiro a gramaticalizar, no século XVI, o português que nós herdamos -, para quem "a língua é o que os falantes fazem dela".


 


Passemos, finalmente, ao termo "improvido".


 


É sabido que o verbo "prover", entre outros significados, tem a acepção de "receber para discussão e deferir um recurso". Em termos simples, equivale a "dar provimento a".


 


Não é incomum, todavia, encontrarmos nos textos jurídicos a negação de tal verbo por meio do uso do prefixo in-. Escrevem-se frases como "a Turma "e;improveu"e; o recurso" ou, ainda, "o recurso foi "e;improvido"e; pela Turma". Estariam adequadas tais construções? Sem dúvida, não.


 


Como já se deixou claro aqui, o prefixo in-, como regra, não serve para criar verbos! É errôneo, destarte, o uso de "improver" e até de "improvimento". Não são termos dicionarizados! Todavia, o VOLP, em sua 5ª edição, abona, com exclusivismo, o adjetivo "improvido", na acepção de "sem provimento". Pode-se afirmar, assim, que "o recurso foi "e;improvido"e;", mas não se pode dizer que "ele havia "e;improvido"e; o recurso". No primeiro caso, mostra-se como adjetivo; no segundo, como verbo.


 


Desse modo, recomendamos que se utilize, substitutivamente, o verbo "desprover". Este admite tanto o adjetivo desprovido como o substantivo desprovimento.


 


A título de curiosidade, observe as vernáculas conjugações verbais de "desprover":


 


- O magistrado desproveu o recurso ontem. (e não "improveu");


- Ontem eu desprovi o recurso. (e não "improvi");


- Espero que nós desprovejamos o recurso. (e não "improvejamos");


- Eu desprovejo o recurso. (e não "improvejo");


- Eles desproveem o recurso. (e não "improveem") [já com a atualização do Acordo Ortográfico]


 


 


Diante do exposto, a resposta à indagação que serviu como título do presente artigo torna-se simples. A frase "O recurso improvido tornou-se imexível" apresenta-se perfeita. O termos dicionarizados "improvido", como adjetivo, e  "imexível", de há muito dicionarizado, ofertam a ideia na frase de que "o recurso sem provimento tornou-se inalterado".


 


De tudo, algo ficou claro: o estudo do prefixo "in-" é inescapavelmente indispensável! Ou seria infalivelmente ininteligente? É melhor sermos infensos à incerteza, à insegurança e à insensatez...

Eduardo Sabbag - Remição ou remissão?

 A dúvida é frequente: "escreve-se o substantivo com "e;ss"e; ou com cê-cedilha?" E mais: "o verbo "e;remir"e; está para remição ou para remissão?". Remissão é na igreja e remição é no local de trabalho? Depende.


 


Há tempos venho verificando que o uso (ou "mau uso") dos substantivos REMIÇÃO E REMISSÃO não chega a ser "caótico", mas, certamente, aproxima-se da desordem e da incoerência.


 


O Código Civil, por exemplo, na redação anterior (Lei 3.071/1916), estampava quase uma dezena de equívocos, trazendo "remissão" nos lugares que avocavam o termo REMIÇÃO. Com a Lei 10.406/2002, o legislador se redimiu, ou melhor, nem tanto... Corrigiu a maioria dos dispositivos, mas esqueceu de retificar alguns (veja os arts. 1436, V, e 1481, § 2º, que permaneceram ainda com o atrapalhado termo "remissão"). Isso sem contar o fato de que convivemos com idêntica gafe, até hoje, na Lei de Falências (DL 7.661/45), em seu art. 120, § 2º.


 


É evidente que faltou cautela ao legislador. Passemos, então, à análise dos verbos:


 


O verbo REMIR, indicando o ato de REMIÇÃO (com cê-cedilha), possui inúmeras acepções - "resgatar, pagar, liberar, livrar" -, todas elas nos levando à ideia de "redenção".


 


No âmbito jurídico, o verbo transita com frequência no dia a dia:


 


1.  O "ato de depositar em juízo o valor do débito, extinguindo a execução" indica que alguém irá REMIR A EXECUÇÃO. Daí, teremos EXECUÇÃO REMIDA (quitada) e REMIÇÃO DA EXECUÇÃO;


 


2. O "ato de desoneração do bem constritado da penhora mediante o depósito do valor da avaliação" indica que alguém irá REMIR O BEM DO EXECUTADO. Assim, teremos BEM REMIDO (desobrigado) e REMIÇÃO DO BEM. Aliás, em oportuna aproximação, temos aqui a figura do "sócio remido", ou seja, "desobrigado do compromisso de arcar com as mensalidades".


 


No plano da conjugação verbal, REMIR oferece alguns desafios. O verbo é defectivo, isto é, não comporta flexões em certas formas. Não obstante, há registros na gramática - e até na literatura - do abono da conjugação regular do verbo. Nessa linha minoritária, entende-se que "se digo "e;eu agrido"e; (para agredir), direi "e;eu rimo"e; (para remir)". Observe a conjugação, por exemplo, no presente do indicativo:


 


Eu ______; Tu ______; Ele ______; Nós remimos; Vós remis; Eles ______.


 


Caso se adote uma distinta solução - na linha daqueles que consideram o verbo como sendo de conjugação regular - poderá evidenciar, exoticamente, flexões que não pertencem ao verbo REMIR, mas, sim, ao verbo "remar": eu remo, tu remas, ele rema, nós remamos, vós remais, eles remam.


 


Frise-se, todavia, que tem prevalecido o entendimento favorável à sua defectividade. Sendo assim, só se admitem as formas verbais em que ao "m" do radical se segue a vogal "i". O que faltar no conjunto de flexões poderá ser suprido com o verbo sinônimo "redimir", que, aliás, é conjugado em todas as formas. Tanto "REMIR" quanto "REMITIR" derivam da mesma base latina "redimere".


 


Observe nossa sugestão de conjugação completa:


 


Eu REDIMO; Tu REDIMES; Ele REDIME; Nós REMIMOS; Vós REMIS; Eles REDIMEM.


                                 (redimir)                             (redimir)                              (redimir)                            (remir)                              (remir)                                 (redimir)


 


 


No confronto do verbo REMIR e os adjetivos, teremos REMÍVEL ("aquilo que pode ser remido") e REMIDOR ("aquele que irá remir ou redimir"; o resgatador, o redentor).


 


Por fim, é importante realçar que, em visão mais abrangente, o verbo REMIR pode ainda estar ligado ao sentido de:


 


1. reaquisição a título oneroso:


Remiu a vítima do cativeiro com um vultoso resgate. (vítima remida, ou seja, libertada com ônus)


 


2. libertar da condenação (do inferno); salvar dos pecados pela expiação:


Cristo remiu os pecadores da culpa. (pecadores remidos, ou seja, libertados ou salvos);


 


3. indenizar; ressarcir:


Pretendo remir o desfalque que lhe causei. (desfalque remido, ou seja, indenizado);


 


4. reparar a falta; expiar:


O homem irá remir sua infidelidade com grande dedicação. (infidelidade remida, ou seja, reparada);


 


5. recuperar-se, reabilitar-se (forma pronominal "remir-se"):


Eu me remi ontem de um erro cometido há alguns anos. (erro do qual me remi, ou seja, do qual me recuperei).


 


Vamos, agora, ao verbo REMITIR:


 


O verbo REMITIR, indicando o ato de REMISSÃO (com "ss"), também possui inúmeras acepções, ligadas, em princípio, à ideia de "perdão, renúncia, desistência, absolvição". 

Também é usado na medicina, para indicar o enfraquecimento de uma doença a partir da redução dos sintomas, quando não há sinais no organismo, mas não se pode concluir que o indivíduo esteja curado. 

Para a maioria das religiões, principalmente a católica, o fiel deve procurar conquistar a remissão de seus pecados, que é concedida pela igreja em nome de Deus.

De modo geral, a remissão é rodeada pelos sentimentos de misericórdia, compaixão e pena, que acabam por conceder alívio e consolo para quem estava em situação difícil.

 


Na órbita jurídica, aparece frequentemente com o sentido de "perdão ou liberação graciosa de uma dívida". Exemplo:


O credor irá remitir a dívida do cidadão. (dívida remitida, ou seja, perdoada)


 


A propósito, em Direito Processual Penal, diz-se "remissão da pena" (pena remitida, ou seja, perdoada), ao se estudarem os institutos jurídicos da graça e do indulto. Em tempo, lembre-se que "remissão" pode ser a "fórmula com que se remete o leitor a outro ponto". Exemplo: Vamos fazer remissões aos vocábulos do dicionário. (vocábulos remitidos, ou seja, apontados).


 


 


O verbo REMITIR comporta outras acepções menos conhecidas, podendo estar ligado ao sentido de:


 


1.  "entregar algo" ou "fazer a cessão de":


O diretor remitiu o cargo de chefia a outro funcionário. (cargo remitido, ou seja, entregue a,,,)


 


2. devolver, restituir:


O Estado deve remitir o valor que foi confiscado. (valor remitido, ou seja, restituído);


 


3. perder a intensidade, afrouxar(-se), enfraquecer:


A falta de vitaminas remite o corpo. (corpo remitido, ou seja, enfraquecido);


 


4. aliviar, consolar:


Houve a remissão da saudade que sentia. (saudade remitida, ou seja, aliviada).


 


 


Quanto à conjugação verbal, o verbo REMITIR não apresenta problemas, pois se flexiona em todas as pessoas, tempos e modos.


 


No confronto do verbo REMITIR e os adjetivos, temos REMISSÍVEL, na acepção "daquilo que pode ser remitido, perdoado". Despontam, ainda, como adjetivos: REMISSÓRIO, REMISSOR e REMITENTE. Este último, aliás, também indicando um substantivo. Portanto, "aquele que remite" será considerado O/A REMITENTE, formando o substantivo REMITÊNCIA.


 


A propósito, o art. 262 do Novo Código Civil (Lei 10.406/2002) chancelou as formas em epígrafe, ao dispor:


 


"Se um dos credores REMITIR a dívida, a obrigação não ficará extinta para com os outros; mas estes só a poderão exigir, descontada a quota do credor REMITENTE." (grifos nossos)


 


De modo oposto, o art. 131, I, do Código Tributário Nacional veicula um equívoco quando prevê:


 


"São pessoalmente responsáveis: I - o adquirente ou REMITENTE, pelos tributos relativos aos bens adquiridos ou REMIDOS." (grifos nossos)


 


Ora, o dispositivo do CTN se refere à REMIÇÃO, na acepção de "resgate do bem mediante pagamento da dívida", a ser feito por aquele que irá REMIR O BEM. Não é à toa que, na parte final do inciso, desponta a expressão "(...) bens adquiridos ou remidos". Desse modo, concluímos que o substantivo correlato não poderia ser "remitente", como entendeu o legislador - porquanto este designa "o que remite algo ou alguém" -, mas REMIDOR, como o "resgatador do bem". Há que se refletir, nesse aspecto, sobre uma necessária alteração legislativa do CTN.


 


Diante de todo o exposto, já temos condições de enfrentar as encruzilhadas semânticas dos termos ora estudados. Eu diria que podemos até mesmo nos desafiar: "REMIÇÃO OU REMISSÃO? CADA QUAL, UMA SOLUÇÃO".

Eduardo Sabbag - Votar em ou para? Dilma Rousseff - presidente ou presidenta do Brasil?

 Estamos em época de eleições. Como devemos votar: no Presidente ou para Presidente?


 


Aquele que vota, ao dar o seu voto, a favor ou contra, vota em alguém, e não "para" alguém. Portanto, você vota em uma pessoa; o candidato tal pode votar nele mesmo ou em alguém, se lhe aprouver, e não "para" alguém. Note as frases corretas:


 


O brasileiro votou no candidato mais bem preparado.


Aquele que não votar em mim, de mim não escapará.


Em quem mesmo votei?


 


O tema traz à tona a cômica história de um candidato que virou motivo de piada nas eleições. Ele não teve nenhum voto, o que motivou uma Rádio a anunciar em seu programa: "Poxa, nem a mulher dele votou nele!". Quando questionado por repórteres, o tal candidato respondeu:


"A minha mulher eu não garanto. Mas a minha mãe, eu sei que votou em mim." E complementou: "Eu também votei em mim".


 


O episódio é hilário e comporta correção gramatical: as frases emitidas pelo desafortunado candidato "sem-voto" estão em consonância com a regra - o verbo "votar" requer a preposição "em", sendo nessa acepção transitivo indireto. Assim, houve por bem o anunciante ao justificar que "...a minha mãe, eu sei que votou em mim." e "... também votei em mim".


 


Entretanto, é possível a utilização da preposição "para" com o verbo ora analisado, quando se fizer referência a "cargo". É que no Brasil passou a ser comum a construção "votar para Presidente", na acepção de "ter a oportunidade de escolher". Exemplo:


 


Ela votou para Deputado.


Nós votamos para Senador.


Todos votaram para Prefeito.


Em Portugal, diferentemente, usa-se a preposição "por": "votar por Deputado, por Senador, por Prefeito etc.


 


Retomando a pergunta que intitula o presente artigo -  "Como devo votar: no Presidente ou para Presidente?" -,  seria possível concluir: pode-se falar "votei no Presidente", caso se faça menção à sua pessoa; por outro lado, será possível dizer "votei para Presidente", se o intuito for se referir  ao cargo eletivo em disputa.


 


Superada a questão apresentada, a título de curiosidade, perguntar-se-ia: qual o feminino de "presidente"?


 


Não faz muito tempo, a pediatra Verónica Michelle Bachelet  venceu as eleições presidenciais no Chile. Na Libéria, a história se repetiu: Ellen Johnson Sirleaf  tomou posse na presidência, como a primeira mulher eleita chefe de estado de um país africano. E, no Brasil, a senadora Heloísa Helena disputou as eleições de 2006... Temos, também, a ex-ministra Dilma Rousseff participando do pleito atual e, de acordo com as mais recentes pesquisas eleitorais, com chances de se tornar a primeira mulher a vencer as eleições para presidente do Brasil. Se as mulheres estão disputando - e até ocupando - a eminente função política de chefe de estado, é necessário fulminar a dúvida: "a Presidente" ou "a Presidenta"?



A forma feminina "presidenta" é dicionarizada e vernácula, embora tenha curso limitado no idioma. Muitos a defendem. Desde gramáticos do quilate de Evanildo Bechara, Celso Cunha, Domingos Paschoal Cegalla e Rocha Lima, até dicionaristas de prol, como Houaiss e Aurélio, tendo todos a chancela do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), que também abona a forma. Aliás, de acordo com a Lei Federal nº 2.749/56, o emprego oficial de nome designativo de cargo público deve, quanto ao gênero, atender ao sexo do funcionário a quem se refira, e não ficar sempre no masculino, apegado a um provável machismo anacrônico.


Não obstante, a palavra "presidente" continua a ser registrada, no VOLP e nos dicionários, como vocábulo de dois gêneros (substantivo comum-de-dois), ou seja, pode-se dizer, sem medo de equívoco, "o presidente" e "a presidente". Assim, à guisa de conclusão, ficaremos com as duas formas possíveis: a presidenta ou a presidente. Dilma Rousseff foi a primeira mulher que preferiu ser chamada de presidenta.


 


Não há dúvida que o direito de escolha, assim exercitado, em sua dimensão política e "linguística", permitirá ao eleitor votar bem...e com gramaticalidade!

Eduardo Sabbag - Ao invés de ou em vez de?

 A dúvida é recorrente: as expressões "em vez de" e "ao invés de" são equivalentes ou não? Ou, na verdade, uma tem sentido diverso da outra?


Enquanto a celeuma persiste aqui e acolá, nota-se que o usuário da língua titubeia diante de tais expressões parônimas, optando pelo que lhe convém: usa "ao invés de", por achar que transmite melhor sonoridade - quando não uma possível imagem de erudição; utiliza "em vez de", sem saber se é caso de oposição ou substituição.


Conforme já esclarecemos em nossa obra Redação Forense e Elementos da Gramática (5.ed., 2012, São Paulo: RT, p. 246), permanece válida a tradicional diferenciação: a locução "ao invés de" indica uma ideia de oposição (viver x morrer; subir x descer; sair x entrar; crescer x diminuir), enquanto "em vez de" aponta para um contexto de "substituição" (alfa no lugar de beta, sem a presença de antagonismos).


Em outras palavras: se quero afirmar, por exemplo, que o magistrado infligiu uma pena de três anos, no lugar de impor uma pena de dois anos, direi que "alguém foi condenado a três anos EM VEZ DE dois". Observe que prevaleceu a mera ideia de substituição de elementos, de uma coisa no lugar de outra, e não de oposição de contextos.


Por outro lado, se desejo afirmar que o magistrado condenou o réu no lugar de absolvê-lo, será possível assegurar que "o magistrado condenou o réu AO INVÉS DE absolvê-lo".


Com efeito, a locução "em vez de", indicando uma opção do falante, pode ser substituída por "no lugar de", enquanto a outra locução ("ao invés de"), unindo frases antitéticas e antagônicas, significa "ao contrário de" - e, também, admite como sinônima a forma "ao revés de". Vale lembrar, ainda, que o substantivo "invés", sem as preposições, significa "avesso, contrário, o próprio lado oposto".


Vejamos, desse modo, entre tantos outros exemplos possíveis, alguns deles com a forma "ao invés de":


Ao invés de


Situação


Elementos Antitéticos


Exemplos:


Oposição


Viver x Morrer


Ele morreu ao invés de viver.


Oposição


Sair x Permanecer


Ela saiu ao invés de permanecer aqui.


Oposição


Subir x Descer


Ele subiu a árvore ao invés de descer.


Oposição


Comer x Jejuar


O homem comeu muito ao invés de jejuar.


Oposição


Vingar-se x Perdoar


Ao invés de vingar-se, perdoou ao delinquente.


 


Em outro giro, a expressão "em vez de" também pode ser bem exemplificada:


Em vez de


Situação


Elementos Substitutivos


Exemplos:


Substituição


Disciplinas jurídicas


Estudo Direito Tributário em vez de Direito Penal.


Substituição


Esportes


Pratico natação em vez de futebol.


Substituição


Idiomas


Aprendi francês em vez de inglês


Substituição


Carros


Ele comprou uma BMW em vez de uma Ferrari.


Substituição


Horário


O encontro será às 14h em vez de 16h.


 


Ainda que a distinção das expressões pareça bastante evidente, a língua de hoje tem sancionado certas liberalidades, em face da força natural do uso. Há muitos estudiosos que aceitam a utilização da forma "em vez de" no lugar de "ao invés de", ou seja, a expressão valeria indistintamente para os dois casos (substituição, o que lhe é normal, e oposição). Portanto, seriam válidas tanto a forma "Entrei ao invés de sair" como "Entrei em vez de sair". Como se sabe, à luz da norma culta, só a primeira hipótese se mostra sustentável, em razão dos elementos antitéticos (entrar x sair). A nosso ver, tal flexibilidade pode ser danosa, principalmente se estivermos em um ambiente de provas de concursos públicos, ensino fundamental, médio e superior, vestibulares e Enem, em que a norma culta é cobrada de modo cartesiano. Por isso, a cautela é necessária. Ao invés de tem um uso mais restrito e em vez de tem um uso mais abrangente.


 Nessa linha de maior rigor semântico, temos recomendado que se evite a locução "ao invés de" para os casos em que prevalecer a ideia de substituição. Assim, na adequada frase "Joana pagou com dinheiro em vez de cheque", evite a outra possibilidade: "Joana pagou com dinheiro ao invés de cheque". Veja que não há espaço para o uso da locução "ao invés de", em face da ausência de oposição entre os elementos cotejados (dinheiro e cheque).


A propósito, citem-se dois bons exemplos, colhidos da letra de lei - do Código Penal, no caso -, que denotam o mau uso da expressão "ao invés de", sem que os elementos confrontados impliquem inequívoca oposição:


1. Art. 73, CP: "Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, AO INVÉS DE atingir a pessoa que pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse praticado o crime contra aquela, (...)" (grifo nosso)


COMENTÁRIO: o contexto é o de se atingir uma pessoa no lugar da outra, e não o de uma "oposição" entre elas. Daí concluirmos que o melhor uso seria o da locução "em vez de";


2. Art. 81, §3º, CP: "Quando facultativa a revogação [da suspensão condicional da pena], o juiz pode, AO INVÉS DE decretá-la, prorrogar o período de prova até o máximo, se este não foi o fixado." (grifos nossos)


COMENTÁRIO: o contexto é o de poder prorrogar-se o período de prova no lugar de se decretar a revogação da suspensão condicional da pena, e não o de uma "oposição" entre os elementos jurídico-processuais. Daí concluirmos que, também, o melhor uso seria o da locução "em vez de".


Por fim, vale lembrar que, no último mês de novembro de 2011, o tema esteve presente na prova de Língua Portuguesa do vestibular para ingresso na ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), exigindo dos vestibulandos o conhecimento da diferenciação das locuções. Coube aos candidatos perceber que a frase adiante estava corretamente grafada:


Mas como um todo, afirma, eles ainda estão apostando que as ações vão subir, ao invés de descerem. (Julie Creswell - Folha de S. Paulo)


Da mesma forma, ofertaram-se aos vestibulandos outras situações, colhidas do meio jornalístico, nas quais deveria prevalecer o uso apropriado da locução "em vez de", e não a forma "ao invés de", como foi inadequadamente utilizada. Observe as frases:


1. Ao invés de manter o alvo em 4,5% pelo nono ano seguido, caberia firmar um compromisso decidido com a inflação baixa e diminuir a meta para 4,25%. (Editorial Folha de S. Paulo)


2. Ao invés de esperar as pessoas e as situações ideais, arregace as mangas e dê exemplo de iniciativa e coragem. (Barbara Abramo - Folha de S. Paulo)


3. Ao invés de próteses de silicone, o cirurgião utiliza depósitos de gordura da própria paciente, enriquecida com células-tronco. (Mariana Pastore - Folha de S. Paulo)


4. As autoridades, ao invés de lançar mão só da taxa de juros, começaram a apelar para medidas "prudenciais", que inibem diretamente o crédito. (Editorial Folha de S. Paulo)


Desse modo, com os parâmetros acima expostos, acreditamos que ficou fácil separar uma locução da outra.


Em tempo, não posso deixar de narrar aqui um marcante episódio que se passou com um aluno, em uma de minhas aulas de português. Eu havia terminado as explicações sobre as duas locuções. Ele as ouviu atentamente, escreveu tudo no caderno e, de modo confiante, partiu para o exercício que coloquei na lousa. Entretanto, algo inesperado aconteceu: ele acabou errando o teste e, com muita frustração, disse-me:


- Professor! Errei! Estou desanimado...


Aproveitei o momento e, em bom trocadilho, respondi-lhe:


- Se errou ao invés de acertar, estude mais em vez de reclamar!

Eduardo Sabbag - Mais bem ou melhor?

 É comum a dúvida: a renda deve ser “melhor distribuída” ou “mais bem distribuída”?


Certeza vez, um ex-presidente causou rebuliço ao afirmar, em um Congresso do seu partido: “queremos brasileiros melhor educados, e não brasileiros liderados por gente que despreza a educação (...)”. A forma “melhor educado” é possível? Ou seria melhor “mais bem educado”?


A questão se liga ao uso dos comparativos de superioridade. Vamos à análise:


Se digo que o candidato é um “bom aluno”, posso também afirmar que ele é “melhor aluno” do que outros. Note que o termo “melhor” serviu como comparativo de superioridade do adjetivo “bom”, assim como seria possível usar a forma “pior” como comparativo de inferioridade do adjetivo “mau”. Há consenso nesse ponto entre os gramáticos.


Exemplos:


 


Ele é bom aluno – Ele é melhor aluno (do que outros).


Ele é mau aluno – Ele é pior aluno (do que outros).


Observação: não se pode comparar, utilizando a forma “mais bom”, quando o termo “melhor” for adjetivo.


 


Além disso, se digo que o aluno foi “bem” na prova, posso também afirmar, no plano comparativo, que ele foi “melhor”. Observe que o termo “melhor” serviu como comparativo de superioridade do advérbio “bem”, assim como seria possível usar a forma “pior” como comparativo de inferioridade do advérbio “mal”. Exemplos:


 


O aluno foi bem. (ou mal)


O aluno foi melhor. (ou pior)


 


Por outro lado, se digo que o candidato é “bem preparado”, as coisas mudam de figura. Observe que o advérbio “bem” acompanha o particípio passado “preparado”. Devo usar qual comparativo? “Melhor” (preparado) ou “mais bem” (preparado)? É possível comparar, utilizando “melhor”, quando este termo for morfologicamente um advérbio?


Aqui está toda a celeuma, dividindo os estudiosos: há os que aceitam apenas o comparativo “mais bem”, repudiando a forma “melhor”; de outra banda, há aqueles que admitem indiferentemente as duas formas, apenas se recomendando uma em detrimento da outra. Como se notará abaixo, filiamo-nos à última corrente.


Se diante do comparativo aparecer uma forma verbal no particípio passado, ou seja, aquelas flexões geralmente terminadas por -ado ou -ido, recomenda-se substituir os comparativos sintéticos (“melhor” e “pior”) pelas formas analíticas “mais bem” e “mais mal”. Assim será utilizado o intensificador “mais”, ao lado de “bem” ou “mal”, no lugar de “melhor” ou “pior”. Exemplos:


- A aluna é mais bem orientada que a colega (no lugar de “melhor orientada”);


- O candidato está mais bem preparado este ano (no lugar de “melhor preparado”);


- Este projeto está mais mal realizado do que o outro (no lugar de “pior realizado”);


- Aquele foi o casamento mais mal organizado a que já fui. (no lugar de “pior organizado”). 


Observação: frise-se que o mesmo raciocínio se estende ao comparativo “menos”, ao lado de “bem” ou “mal”, embora os registros sejam raros (Portugal é o país menos bem preparado para lidar com a pandemia).


Voltando ao caso, podemos assegurar que há uma certa lógica: quando se diz “bem orientada”, o advérbio “bem” tem forte ligação com o particípio que a ele sucede (orientada), quase formando um “todo indissociavelmente significativo”. Tal atração se torna nítida nos inúmeros casos de palavras hifenizadas (adjetivos) com tais advérbios: bem-acabado, bem-acostumado, bem-apessoado, bem-aventurado, bem-disposto, bem-educado, bem-humorado, bem-sucedido, bem-vestido, entre outros. Da mesma forma, destacam-se com o advérbio “mal”: mal-agradecido, mal-amado, mal-educado, mal-entendido, mal-humorado, entre outros.


Como tais palavras funcionam como adjetivos, é natural que se deva dizer “mais bem orientada”, no lugar de “melhor orientada”, tal como dizemos “mais feia” (e não “melhor feia”) ou “mais bonita” (e não “melhor bonita”). Veja que o intensificador “mais” incide sobre o conjunto representado por “bem+particípio”, e não exata e exclusivamente sobre o advérbio “bem”.


Portanto, tem-se a seguinte visualização: [ mais + (bem+particípio) ].


Daí se justificar a preferência da gramática normativa pela tradicional utilização, antes de particípio, da forma adverbial analítica “mais bem” em vez da forma adverbial sintética “melhor”. Trata-se de preferência, e não erro.


A propósito, a Folha de S. Paulo, na seção “Esporte”, trouxe recentemente interessante exemplo do uso pelo qual ora demonstramos predileção:


 


“A mais bem colocada na Malásia foi a Virgin, única que ainda não havia chegado ao fim de nenhum GP.”


Curiosamente, a referida frase foi cobrada “ipsis litteris” no vestibular da Escola Paulista de Propaganda e Marketing (ESPM), tendo sido considerada “correta” e “sem transgressão de concordância”, uma vez que se preferiu o intensificador “mais” ao comparativo “melhor”.


No âmbito dos vestibulares, recordo-me, ainda, de assertiva elaborada em prova recente da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), em que se considerou “correta” a frase abaixo:


“Se os professores fossem mais bem pagos e qualificados, a educação daria um salto em qualidade.”


Por isso, temos recomendado em sala de aula, sobretudo aos concurseiros, vestibulandos e Enemzeiros, que se adote, exemplificativamente, o quadro abaixo:


 




 


Como se verifica, é da índole da língua e da prática da gramática normativa que se impugne o comparativo “melhor”, anteposto às formas participiais.


Entretanto, como a língua não é uma entidade monoliticamente fixa, é importante registrar que há exemplos clássicos – e autorizados! –, que abonam o uso pouco recomendado, em que o “melhor” aparece como modificador do particípio, sinalizando o aceite de ambos os usos na variante culta formal. Exemplos:


- “(...) a demonstração (...) seja melhor confirmada pelos fatos” (Alexandre Herculano);


- “(...) que ande ele melhor avisado na organização (...)” (Machado de Assis);


- “O ponto (…) melhor tornado no terreno alheio (…)” (Camões, em “Os Lusíadas”, IX, 58);


- “Santarém é das terras de Portugal a melhor situada e qualificada.” (Almeida Garrett);


- “(…) aceitou um almoço melhor adubado que o da ceia (…)” (Camilo Castelo Branco, em “O Santo da Montanha”);


- “Levou seu prêmio melhor logrado” (Padre Manuel Bernardes);


- “(...) mais decidida, senão melhor armada” (José de Alencar).


Tais exemplos ratificam a ideia de que a escolha é pura questão de preferência, de estilo e, talvez, de agrado. Daí não podermos chamar de “erro” a fala do ex-presidente, porque certo e errado é coisa de ciência exata.


Posto isso, ante a robusta divergência diante dos fatos da língua, recomendamos – e não mais que isso... – a utilização do comparativo analítico antes das formas do particípio, mas não há erro no uso do comparativo sintético, que está consagrado. Apenas, enfatizamos: é melhor assim... Por outro lado, o leitor não estará menos bem acompanhado se seguir Camões, Garrett, Machado, Camilo etc.

Eduardo Sabbag - Super e o hífen

 De vez em quando, a notícia se espalha: “pagam-se supersalários aqui”; “recebem-se supersalários acolá”. A palavra, associada àqueles que ocupam os altos escalões do governo, indica privilégios de alguns poucos por aí... E sempre se questiona: quem será que paga a conta?


 


A resposta dispensa comentários. Pelo menos, para nós, a quem cabe o trabalho – mais prazeroso, diga-se de passo – de verificar um problema de amplitude menor, mas igualmente impactante: a questão da ortografia da palavra. Escreve-se o vocábulo com hífen ou sem? Usam-se dois “esses” (-ss) ou apenas um? O Acordo Ortográfico alterou, por acaso, a escrita da palavra?


 


Em primeiro lugar, é importante mencionar que o Acordo Ortográfico não alterou a formação de palavras com o prefixo super-. A regra permanece inalterada: haverá o hífen se a palavra posterior iniciar-se por -h ou -r. Na mesma esteira, seguirão os prefixos hiper- e inter-. Por essa velha razão, escrevem-se:


1. Com hífen: super-habilidade, super-homem, super-requintado, super-revista; hiper-hidratação, hiper-reativo, hiper-realista; inter-racial, inter-regional, inter-relação, inter-humano.


2. Sem hífen: superaquecido, superdosagem, superfaturado, superlotado, supermercado, superpopulação, supersônico; hiperativo, hipertensão, hipertrofia, hiperglicemia, hiperinflação, hipertireoidismo, hipersensibilidade, hipertexto; interativo, intercâmbio, intercessão, intermunicipal, internacional, interestadual, interdisciplinar, interlocutor, interdependência, intertextualidade, interface.


 


Entretanto, uma dúvida se impõe: por qual motivo se escreve “supersalário”, com um -s 

(e sem hífen), se devemos escrever, à luz do Acordo Ortográfico, “suprassumo”, com dois “esses” 

(e também sem hífen)?


 


A resposta não é complicada. A regra que leva à hifenização das palavras formadas pelo prefixo supra- não se confunde com aquela revelada acima para o prefixo super-. Todas as palavras formadas com o prefixo supra- receberão o hífen se o elemento posterior iniciar-se por -h ou idêntica vogal. É o que dispõe o Acordo Ortográfico. Exemplos: supra-histórico e supra-atmosférico. Daí a necessidade de se escrever suprassumo sem o hífen.


 


Agora, quanto à duplicação da consoante -s, o problema é outro: o novo Acordo impõe que se dobre a letra quando o segundo elemento iniciar por -r ou -s, o que ocorre no presente caso (sumo inicia-se por -s). Daí escrevermos, com correção: suprassenso, suprassolar, suprassegmental 

(e, da mesma forma: suprarrenal, suprarrealismo, suprarregional).


 


É relevante mencionar que a regra empregada ao prefixo supra-, acima detalhada, também o será a vários outros prefixos. As palavras em seguida, conquanto esteticamente estranhas, podem bem ilustrar:


1.  Proto: protossolar e protorrevolução;


2.  Extra: extrassecular e extrarregular;


3.  Pseudo: pseudossábio e pseudorreação;


4.  Semi: semissintético e semirreta;


5.  Infra: infrassom e infrarrenal;


6.  Intra: intrassubjetivo e intrarracial;


7.  Neo: neossimbolismo e neorrealismo;


8.  Ultra: ultrassonografia e ultrarromântico;


9.  Contra: contrassenso e contrarregra;


10. Auto: autossuficiente e autorretrato;


11.        Ante: antessala e anterrosto;


12.        Anti: antissocial e antirracismo;


13.        Arqui: arquissacerdote e arquirrival;


14.        Sobre: sobressaia e sobrerroda.


 


Uma vez esclarecida a diferença, vale a pena observarmos outras palavras grafadas com o prefixo super-, cujo segundo elemento se inicia pela consoante -s:


Se grafamos supersalário, iremos grafar: supersábio, supersafra, supersalgado, supersecreto, supersensibilidade, supersensível, supersimples, supersólido, superstição.


Dessa forma, fica claro que grafaremos “supersalário”, sem duplicar o -s e sem colocar um hífen indesejado. Podemos, então, concluir, de modo “supersimples”: o vocábulo “supersalário” se escreve com -v (de vigilância...).

Eduardo Sabbag - Vírgula antes da conjunção e

 A utilização da vírgula é um problema recorrente para o usuário da linguagem escrita. O motivo é simples: quando se utiliza a linguagem oral, procede-se à entoação que apraz, à pausa que convém e à sonoridade que melhor exprime o sentido da fala. Entretanto, quando se transporta a linguagem oral para o texto escrito, faz-se necessário dominar a vírgula, entre outros sinais de pontuação, a fim de transmitir o pensamento sem ambiguidade. Em outras palavras, vale dizer o que sempre anuncio, com certo tom de gracejo, em sala de aula:


 


“’Virgulamos’ bem, ao falar; ao escrever, não sabemos o que fazer!”.


 


Entre as várias regras do uso obrigatório da vírgula - um sinal de pontuação que indica a quebra de ligação sintática no interior da frase -, está uma que deixa todos de “cabelo em pé”: a vírgula antes da partícula “e”. Sabe-se que, em princípio, a conjunção “e” rechaça o uso da vírgula. Exemplo:


 


Comprei maçãs e peras.


 


Comprei maçãs, peras e abacaxis.


 


Entretanto, há casos curiosos de vírgula precedendo tal conectivo. Vamos a eles:


 


1º. Quando o “e” significar “mas”: é possível que encontremos a conjunção aditiva com acepção diversa da que lhe é natural, representando, pois, adversidade. Neste caso, a vírgula será de rigor, pois, como é cediço, virgula-se antes de conectivos adversativos (mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstante etc.). Exemplos:


 


Todo político promete, e não cumpre.


 


(Traduzindo: Todo político promete, mas não cumpre.)


 


Quase morri de tanto estudar, e tirei nota baixa.


 


(Traduzindo: Quase morri de tanto estudar, mas tirei nota baixa.)


 


Vamos à próxima regra:


 


2º. Quando o “e” for repetido intencionalmente: trata-se de importante figura de sintaxe, conhecida por “polissíndeto”, muito usada em textos narrativos e descritivos, mas que deve ser evitada em textos dissertativos, injuntivos e expositivos. Ao usuário, a intenção de ênfase será facilmente detectável. Note os exemplos:


 


“E suspira, e geme, e sofre, e sua...” (Olavo Bilac)


 


“Trejeita, e canta, e ri nervosamente.”


 


(Antônio Tomás)


 


Observe mais uma possibilidade:


 


3º. Quando o “e” separar orações formadas por sujeitos distintos: é possível a construção de período composto por orações com sujeitos diversos. Caso se pretenda uni-las com o conectivo aditivo em análise, a vírgula será obrigatória. Exemplos:


 


Uma mão lava a outra, e a poluição suja ambas.


 


1ª oração:  Uma mão lava a outra (Núcleo do sujeito: mão);


 


2ª oração: E a poluição suja ambas (Núcleo do sujeito: poluição).


 


Ou, ainda:


 


“A mãe se fora para a cozinha, e Rafael olhava pra ele.” (José Lins do Rego)


 


O desembargador deu voto a nosso favor, e o terceiro juiz pediu vista.


 


Por fim, a última regra:


 


4º. Quando o “e” indicar realce: haverá vírgula antes do “e”, quando se quiser dar ênfase à expressão. Exemplos:


 


Disse, e repito, que hoje é o amanhã de ontem.


 


“Neguei-o eu, e nego.” (Rui Barbosa)


 


Comeu bastante, bebeu demais, dormiu em excesso, e partiu.


 


Após verificadas as possibilidades destacadas, podemos começar a perder o “medo” de virgular. Com o estudo das regras, ficaremos autorizados a usar outra frase, diversa daquela anteriormente anunciada em sala de aula:


 


“’Virgulamos’ bem, ao falar; ao escrever, não temos nada pra aprender!”.

Eduardo Sabbag - Conjugação do verbo entreter

 O verbo “entreter” possui conjugação capciosa. Tanto é verdade que é possível ouvir flexões curiosas – “ele /entérte/”, “ele vai /entertê/”, “ele havia /entertido/” –, principalmente, é claro, na voz daquele falante com pouca instrução...e simpática simplicidade.


 


Já faz um bom tempo que cheguei a São Paulo, vindo de Guaxupé, em Minas Gerais. Lá vivi até meus 17 anos e testemunhei, não poucas vezes, as “divertidas” flexões.


 


A propósito, vem-me à mente a fala de um simpático sorveteiro – um daqueles que anda a cidade toda, empurrando um carrinho e anunciando com buzina que está ali –, de quem comprávamos, quando crianças, os inesquecíveis “sorvetes de saquinho”.  O homem vociferava, indicando o produto maior do que o outro:


 


- Leve este, menino! Ele “enterte” mais...


 


Obviamente, não me valho do presente artigo para apontar, com o indicador, o “erro” de conjugação verbal daquele falante, de origem simples e limitada instrução. À luz do padrão culto da língua, há um problema, sim, na flexão verbal por ele utilizada. Todavia, se atentarmos para os fatores múltiplos que demarcam o plano da comunicação – grau de instrução do falante, coloquialidade do discurso, objetivo da mensagem, entre outros –, poderemos até defender a ausência de “erro” naquela fala. Os linguistas me apoiam – creio.


 


Posso dizer, assim, que aquele simpático sorveteiro, que ainda permanece em minha memória, com seu legítimo “mineirês”, inspirou-me a falar sobre a conjugação do verbo ENTRETER. É o motivo deste artigo. Passemos, então, à análise do fato.


 


De início, é necessário destacar que o verbo ENTRETER possui a acepção de “distrair, ter por ocupação”. Exemplo: “O homem poderia entreter a criança com o sorvete”. Nota-se que sua transitividade é dupla, podendo apresentar-se como verbo transitivo direto ou como verbo bitransitivo. Veja:


 


O palhaço entreteve a criança (verbo transitivo direto);


O palhaço entretinha as crianças com brincadeiras (verbo transitivo direto e indireto).


 


Em tempo, é importante lembrar que o verbo pode ser pronominal:


 


O palhaço entreteve-se com a plateia naquele circo.


Eu me entretenho com música popular brasileira.


 


Passemos, agora, aos problemas de flexão verbal. Não percamos de vista, todavia, que este verbo deve ser conjugado como o verbo “ter”, do qual deriva.


 


Já no presente do indicativo, o verbo começa a mostrar suas “garras”. Se falamos “eu tenho”, falaremos “eu entretenho”. Da mesma forma, se dizemos “ele tém”, diremos “ele entretém”. Dessa constatação inicial, desponta que não se deve falar “ele /entérte/”, mas “ele entretém”. Aliás, o saudoso sorveteiro da infância, se quisesse se valer do português culto, poderia dizer:


 


- Leve este, menino! Ele ENTRETÉM mais...


 


Cá pra nós: do jeito que criança é, desconfiada e arredia, é bem provável que deixasse de comprar aquele sorvete maior... Ficaria inibida com um verbo tão diferente e erudito...O tiro sairia pela culatra! Por isso, insistimos que, se houve “erro”, este se deu apenas na perspectiva imposta pelo português de rigor, na esteira do padrão culto da linguagem. Quando analisamos o plano comunicacional, em uma abrangência superior, não veremos erro na fala. São os mistérios e ensinamentos da oralidade despretensiosa...


 


Bem, voltando à flexão verbal. No pretérito perfeito do indicativo, teremos algumas formas importantes, que se estendem a seus derivados (mais-que-perfeito, imperfeito do subjuntivo e futuro do subjuntivo):


 


Eu tive


Ele teve


Nós tivemos


 


Eles tiveram


Eu entretive


Ele entreteve


Nós entretivemos


 


Eles entretiveram


 


Memorize: não existe a forma “entreteu”! Diremos, sim, que “algo entreteve”.


 


Recomenda-se, também, prestar atenção às flexões no futuro do presente do indicativo, que se estendem ao futuro do pretérito, pretérito imperfeito e infinitivo pessoal, além do gerúndio e do particípio. Observe as frases:


O palhaço entreterá as crianças no circo.


As brincadeiras do palhaço entreterão as crianças.


 


Por fim, o modo subjuntivo apresenta ao estudioso os “desafios” de sempre. Aprendamos algumas formas, por comparação:


 


No presente do subjuntivo:


(Que) eu tenha  -  (Que) eu entretenha


(Que) nós tenhamos  -  (Que) nós entretenhamos


(Que) eles tenham  -  (Que) eles entretenham


 


Escreveremos, portanto:


Espero que nós nos entretenhamos com as brincadeiras do palhaço.


 


No pretérito imperfeito do subjuntivo:


(Se) eu tivesse  -  (Se) eu entretivesse


(Se) nós tivéssemos  -  (Se) nós entretivéssemos


(Se) eles tivessem  -  (Se) eles entretivessem


 


Escreveremos, portanto:


Se nós nos entretivéssemos no circo, iríamos mais vezes.


 


No futuro do subjuntivo:


(Quando) eu tiver  -  (Quando) eu entretiver


(Quando) nós tivermos  -  (Quando) nós entretivermos


(Quando) eles tiverem  -  (Quando) eles entretiverem


 


Escreveremos, portanto:


Quando os palhaços entretiverem as crianças, todas verão como é bom sorrir.


 


Assim, pudemos percorrer, nos tópicos em epígrafe, as principais “encruzilhadas” que este verbo apresenta. E tudo porque uma agradável lembrança da infância veio à tona...e nos entreteve neste artigo. Um gramatical entretenimento...


 


Aliás, seria tão bom ouvir novamente aquele buzina do homem do sorvete, oferecendo o produto “que /entérte/”, “que vai /entertê/ mais”... Seria uma ótima oportunidade de lhe dizer que aquela espontânea flexão verbal, por ele utilizada, não existe, mas que seu sorvete era inesquecível! Tão inesquecível que sua fala me levou a aprender, com o tempo – e no português de rigor –, que são melhores as formas “ele entretém”, “ele vai entreter”, “ele havia entretido”.

Eduardo Sabbag - Uso do pronome onde

 É muito comum, na formação de períodos sintáticos, o uso inadequado do termo “onde”. Costumo dizer que “se coloca ‘o onde’ ‘onde’ não se deve...”. Daí a utilização das palavras em trocadilho, no título deste artigo (Onde o “onde” é incorreto...), que, à primeira vista, pode não soar tão bem, entretanto serve intencionalmente para chamar a atenção do leitor a um problema crônico na sintaxe.


 


Como classe morfológica, “onde” pode ser um advérbio interrogativo (“Onde está o homem?”) e pronome relativo (“Esta é a cidade onde nasci.”) – o que nos interessa diretamente neste artigo –, equivalente a “em que, no qual, na qual, nos quais, nas quais” (“Esta é a cidade EM QUE / NA QUAL nasci.”). O pronome relativo retoma um termo expresso anteriormente (antecedente) e introduz uma oração subordinada adjetiva, restritiva ou explicativa. Assim, na análise sintática, o termo “onde” será identificado como um “adjunto adverbial de lugar”. A propósito, deve referir-se sempre a lugar físico, espacial ou geográfico, ainda que virtual ou figurativo, sendo inadequado seu uso quando atrelado a situações diversas. Os exemplos são esclarecedores:


 


1. A estrada onde ocorreu o acidente.


 


2. O prédio onde ele trabalha.


 


 


Nas duas frases acima, nota-se que o pronome se liga a referentes que designam um lugar determinado, a saber, “a estrada” e “o prédio”. Nessa medida, houve adequação na construção dos períodos, que poderiam ser também escritos:


 


1. A estrada EM QUE / NA QUAL ocorreu o acidente.


2. O prédio EM QUE / NO QUAL ele trabalha.


 


Como recurso mnemônico, pode-se “tirar a prova” do bom uso em dois passos simples: 1º. Substitua o pronome pela expressão “o lugar em que”; e 2º. Elimine o elemento antecedente. Exemplo:


 


Situação: A estrada onde ocorreu o acidente.


1º. A estrada  [O LUGAR EM QUE] ocorreu o acidente.


2º. A estrada  [O LUGAR EM QUE] ocorreu o acidente.


Resultado: O lugar em que ocorreu o acidente.


 


 


Gonçalves Dias, na clássica “Canção do Exílio”, deixou-nos a lição no verso “Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá”. É fácil perceber que as palmeiras indicam o lugar em que o sabiá vai fazer a sua cantoria.


 


Por outro lado, existe um costume condenável de se usar a forma “onde” em excesso nos textos escritos. Costumamos denominar o fenômeno de “ondismo”, no qual se associa o pronome a situações que não indicam valor circunstancial de lugar. Observe as situações abaixo, em que o erro se torna patente:


 


1. Nos autos, foram colhidos depoimentos onde ficou evidente a culpa do réu.


 


Ora, o referente “depoimentos” indica um domínio não geográfico. A frase deve ser assim corrigida:


Nos autos, foram colhidos depoimentos EM QUE / NOS QUAIS ficou evidente a culpa do réu.


 


Daí se dizer que “onde” sempre equivalerá a “EM QUE”, mas a recíproca pode ser falsa, motivo por que se têm construído, a torto e a direito, muitos períodos de forma errônea. Observe mais exemplos de incorreção:


 


2. O candidato prestou o concurso onde questões de provas foram anuladas.


Correção: O candidato prestou o concurso EM QUE / NO QUAL questões de provas foram anuladas.


 


3. Esta é a família onde há violência doméstica.


Correção: Esta é a família EM QUE / NA QUAL há violência doméstica.



           Da mesma forma, tem sido muito comum o errôneo emprego de “onde” como antecedente de “tempo”. Observe o problema:


 


1. Este é o ano onde tudo melhorará.


O antecedente “ano” designa uma referência temporal, devendo afastar o pronome “onde”. Substitua-o, assim:


Este é o ano EM QUE / NO QUAL / QUANDO tudo melhorará.


 


De modo semelhante, outras frases podem ilustrar a aplicação imprópria do pronome quando os referentes forem temporais:


 


2. Esta é a época onde as flores nascem.


Correção: Esta é a época EM QUE / NA QUAL as flores nascem.


 


3. O dia onde a guerra começou.


Correção: O dia EM QUE / NO QUAL a guerra começou.


 


4. O século onde tudo se explica.


Correção: O século EM QUE / NO QUAL tudo se explica.


 


Recentemente, a Fundação Getúlio Vargas elaborou importante questão no vestibular para os candidatos pretendentes ao curso de “Administração de Empresas”. No caso, o candidato teve que identificar a inadequação do uso de “onde” na frase “Uma noite onde ninguém é o que parece ser”. Com efeito, o referente “noite” não designa lugar, mas tempo. Assim, poderíamos corrigir a frase por:


 


“Uma noite EM QUE / NA QUAL ninguém é o que parece ser”.


 


Por tudo isso, devemos evitar o uso indiscriminado do pronome relativo “onde”. A cautela, aqui, não será algo excessivo, mas imprescindível. Aliás, o cauteloso terá o domínio da boa aplicação do pronome relativo e... a chave dos lugares onde “o onde” é adequado. É só entrar e bem aplicar!

Eduardo Sabbag - Regência do verbo implicar

 Certa feita, quando ministrava uma aula de Direito Tributário, interrompi a explicação jurídica e pedi licença aos alunos para trazer-lhes uma dica gramatical. Não raras vezes, valho-me dessa estratégia, com o propósito de enaltecer a importância do conhecimento da gramática normativa para aqueles que desejam militar em nossa solene área jurídica e, além disso, prestar os concursos públicos.


 


Tal fato se deu no momento da leitura de um dispositivo do Código Tributário Nacional (CTN), que abaixo reproduzo:


 


“Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: (...) II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: (...) b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; (...)” (grifo nosso)


 


Como se pode perceber no destaque acima, o deslize gramatical do legislador se deu no âmbito da chamada “regência verbal”, afeta ao verbo “implicar”.


 


O uso desse verbo no texto, jurídico ou não, tem sido muito frequente. O jornalista e o escritor, o advogado e o juiz, o promotor e o defensor, o professor e o aluno, e, até mesmo, o legislador, todos preferem adotar o verbo “implicar”, insistindo, quase sempre, na utilização da preposição “em”. Assim, encontram-se frases, como:


 


- A nulidade do ato implicou na tomada de providência. (na = em + a)


- O casamento implica em verdadeiro sacerdócio.


- Adquirir a casa própria implica na mudança de hábitos. (na = em + a)


 


Antes de detalharmos a explicação gramatical, convém frisar que, à luz da gramática normativa e da chamada “língua culta”, as três frases acima teriam sido mais bem escritas, se assim tivessem vindo:


 


- A nulidade do ato implicou a tomada de providência.


- O casamento implica verdadeiro sacerdócio.


- Adquirir a casa própria implica a mudança de hábitos.


 


Há uma lógica nisso tudo. A opção inovadora “implicar em algo” é resultado da influência nos usuários da língua daqueles verbos como “resultar”, que requerem normalmente a preposição “em” (Algo resulta em derrota). Aliás, é fato relevante notarmos que tal brasileirismo tem seduzido parte minoritária dos gramáticos, os quais preferem ceder à forma popular, aceitando-a como legítima. Isso tem ocorrido também em certas situações de concursos públicos, vestibulares, provas de ensino médio/superior, Enem e exame da OAB, em que se enaltece o padrão coloquial/literário em detrimento do padrão culto, exigido em documentos oficiais, artigos científicos e redações.

 


Tudo nos leva a crer que a constatação do problema de regência verbal, no presente caso, não é mera “implicância com o verbo ‘implicar’”, mas, diferentemente, uma providência que deve ser bem assimilada por todos aqueles que lidam, no padrão culto da língua, com a gramática normativa em seu dia a dia, filiando-se ao sistema linguístico imposto pelas normas cultas. A propósito, passemos agora às acepções do verbo.


 


O verbo implicar tem mais de uma acepção. Pode vir com o sentido de “ter implicância”, quando será acompanhado da preposição “com”, assumindo a transitividade indireta (A esposa implica com o marido).


 


Com um pouco mais de erudição, o verbo em estudo pode aparecer na acepção de “envolver-se”, avocando as preposições “com” ou “em”, sob o rótulo de um pronominal verbo transitivo indireto (Implicou-se em negócios fraudulentos; Implicou-se com negociações difíceis).


 


Entretanto, as significações acima não dizem respeito à regência cotejada naquele dispositivo do CTN. Lá o verbo “implicar” apareceu com o sentido de “acarretar, provocar, trazer como consequência” (“... desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento...”) e, nessa acepção, deve ser transitivo direto, repelindo a preposição “em”. Nesse caso, a opção pela preposição – o que tem acontecido de forma recorrente – é condenada pela maioria dos gramáticos, indo também de encontro ao posicionamento majoritário dos dicionaristas e das Bancas de concurso. Portanto, censurada está a regência indireta (preposição “em”) para esta última possibilidade de significação, sobretudo no contexto imposto pelo padrão culto da norma.


 


Urge lembrar que, no plano legislativo, os erros e acertos convivem, em curiosa harmonia, na atividade do legislador. Ora se caminha para o lado da correção; ora se dirige para o campo do deslize. E, como se trata do discurso jurídico, podemos, sim, falar em “acerto” e “erro”, uma vez que naquele só se admite o padrão culto da língua.


Desse modo, enquanto o art. 37, §2º, da Constituição Federal demarcou a precisão do uso (“A não observância do disposto nos incisos II e III implicará a nulidade do ato e a punição da autoridade responsável, nos termos da lei. ”), o legislador do CTN laborou em erro quando, tratando da lapidação do art. 106, II, “b”, utilizou a forma “implicar em” no lugar de um simples “implicar”. Veja como ficaria o dispositivo corrigido:


 


“Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: (...) II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: (...) b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado ( ) falta de pagamento de tributo; (...)” (grifo nosso)


 


Diante do exposto, há que se relativizar a implicância com o verbo “implicar”. No padrão culto, usaremos o implicar “implicando com a preposição em” (isto é, evitando-a!); já no padrão popular e em textos literários, poderemos até arriscar o implicar “não implicando com a preposição em” (isto é, utilizando-a!). Todavia, como se enfatizou, a implicância, no discurso jurídico, será sinônimo de cautela. Que se mude o CTN!